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Meio Ambiente Acre registra mais de 300 focos de incêndio na primeira semana de outubro

Focos de queimadas no Acre. (Bombeiros do Acre/ Divulgação)

Victória Sales – Da Cenarium

MANAUS – Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram que na primeira semana de outubro o Estado do Acre teve 311 focos de incêndios detectados pelos satélites do instituto. Até o dia 7, o Estado acumulava mais de oito mil registros. Em conversa exclusiva à CENARIUM, o ambientalista Carlos Durigan destacou que as queimadas no local estão diretamente relacionadas à expansão das atividades agropecuárias e à falta de controle sobre este processo.

Segundo Durigan, outro ponto preocupante são as queimadas mesmo durante os meses mais chuvosos do ano. “Isso demonstra que o descontrole sobre o uso e ocupação da terra serve como fator de intensificação do desmatamento e incêndios associados, visto que não é apenas a questão de meses de estiagem ou surgimento de fogo acidental”, relatou.

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“O que vemos é que há um processo que associa desmatamento e ocupação ilegal de terras públicas e ainda falta de cuidados por parte de produtores rurais no caso de propriedades privadas, uma vez que não há controle nem sensibilização para que tenham mais cuidado com suas reservas legais e ainda evitem o uso do fogo, e quando o fizerem, que o façam de forma controlada”, explicou Carlos Durigan.

Outro fator importante que tem contribuído para esse aumento, segundo Durigan, são as questões das fragilidades dos órgãos fiscalizadores. “A fragilidade da gestão ambiental tem aberto caminho para que o descontrole se instale e funcione inclusive como um sinal verde para a degradação”, destacou o ambientalista.

Acumulado

Dados do Programa Queimadas, do Inpe, apontam que até agosto de 2021 o Acre registrava 2.140 focos de incêndio, o que aproximou dos números de um triste recorde no ano. O dado se tornou maior que o acumulado para o mesmo período no ano anterior, o qual fechou com 1.641 focos, considerando um aumento de 30% nos meses avaliados. Os números de 2021 ficaram atrás apenas de 2019, que registrou 2.240 focos, e de 2005 com 5.405 focos de queimadas.

O Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) destacou que do dia 1º de janeiro até o dia 23 de julho, foram registrados 74 autos de infração, sendo multas, embargos e apreensões, totalizando mais de R$ 3 milhões de multas.

Aumento

Entre os municípios que mais registraram focos de incêndios no Acre estão: Feijó e Tarauacá com 1.477 e 998 focos, respectivamente. Nos nove primeiros meses deste ano, o Estado acumulava o maior número de queimadas em 11 anos, segundo dados do Programa Queimadas do Inpe. No mês de setembro, foram contabilizados 3.982 focos, deixando o Estado em 5º lugar no ranking dos locais que mais queimaram no Brasil.

Acre havia registrado 7.401 focos acumulados entre janeiro e setembro de 2020, representando 4% das queimadas em um ano. Em setembro o Estado fechou com 3.357 focos de queimada, em setembro de 2020, representando um aumento de mais de 18% para este ano.

Professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), Paulo Artaxo, disse recentemente ao jornal O Globo que o País precisa parar de fazer planejamento de curto prazo e focar em políticas públicas que pensem o futuro, voltadas para um horizonte superior à duração de um único governo.

“A gente sempre culpa o clima porque está chovendo menos. Mas a responsabilidade é nossa, das políticas ambientais, inclusive do atual governo. A falta de chuvas é resultado de mudanças climáticas globais. A gente está vendo o desastre esperado”, disse.

O especialista lembra que há anos a ciência vem alertando para as consequências do desmatamento da Amazônia. Ele reduz a chamada evapotranspiração (evaporação da água do solo mais a transpiração das plantas), e o resultado é a incidência menor de chuvas no Brasil Central. É nessa região que está localizado o Pantanal, a maior planície alagada do mundo.

(Catarine Hak/ Cenarium)