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Central da Política Cansado de ataques a indígenas, cacique Raoni revela apoio a Lula em 2022

O líder indígena classifica Jair Bolsonaro como uma “peça de manobra de governos estrangeiros”. (Ygor Barbosa/Cenarium)

Iury Lima – Da Cenarium

VILHENA (RO) – Foi em entrevista ao Repórter Brasil que o cacique Raoni Metuktire, do povo Caiapó, revelou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições presidenciais de 2022. Uma das motivações para esta decisão seria a insatisfação com os rumos tomados para o Brasil, afetando principalmente a existência de povos tradicionais, pelo atual presidente da República.

“Bolsonaro está fazendo coisa errada e eu não estou gostando. Ele quer a extinção dos povos indígenas e também pensa em destruir vocês, homens brancos”, disse o líder indígena, de 91 anos, durante a entrevista no último dia 8.

O cacique Raoni (Reprodução/AFP)

Raoni quer paz

Para o cacique, que recebeu o prêmio Nobel da Paz, em outubro de 2020, tirar Jair Bolsonaro da presidência por meio do voto significa tranquilidade para as comunidades das florestas ameaçadas durante o governo, no qual as aldeias passaram a sofrer mais ameaças, alimentadas por discursos controversos à preservação ambiental, viabilizando também o crescimento da grilagem, do desmatamento e do garimpo ilegal, por exemplo.

“Todos temos que apoiar Lula para que ele assuma esse cargo para que possamos ter tranquilidade”, disse a liderança indígena em outro trecho da entrevista. Raoni continuou dizendo que o retorno de Lula ao poder fará com que “as coisas fiquem certas e todos tenham paz” e completou afirmando que considera Jair Bolsonaro como “peça de manobra de governos estrangeiros”.

“Se o Lula assumir, eu estarei lá com ele e vamos começar de novo a trabalhar juntos”

Raoni Metuktire

Violação de direitos

De acordo com o Relatório Anual da Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil, organizado pelo Conselho Missionário Indígena (Cimi), divulgado em setembro de 2020, foi no primeiro ano de governo Bolsonaro que os direitos indígenas passaram a ser ainda mais violados.

O aumento foi de 135%, em 2019, de Norte a Sul do País, em relação ao ano anterior. A maioria dos casos envolveu mortes por ausência de assistência, ameaças, lesões corporais dolosas e mortes de crianças de zero a cinco anos.