Caso Djidja: Droga apreendida em clínica veterinária causa alucinações e agressividade

Medicamento de uso veterinário (Composição/Paulo Dutra/Cenarium)

07 de junho de 2024

22:06

Isabella Rabelo – Da Agência Cenarium

MANAUS (AM) – A Polícia Civil do amazonas (PC-AM) apreendeu, na tarde desta sexta-feira, 7, mais de 11 mil frascos da medicação denominada Mefentermina, encontrados no prédio da clínica veterinária Casa do Criador. A ação faz parte da segunda fase da “Operação Mandrágora”, que investiga o uso recreativo de entorpecentes no caso Djidja Cardoso.

Fachada da clínica alvo de mandado de busca. (Divulgação/PC-AM)
Medicamentos apreendidos pela Polícia Civil. (Divulgação/PC-AM)

A mefentermina, comercializada como Potenay, é um estimulante de uso veterinário utilizado principalmente em bovinos e equinos para aumentar o tônus muscular e estimular o sistema circulatório, além de aumentar o rendimento energético dos animais em atividades desportivas. O uso indevido por humanos pode causar alucinações, agressividade, arritmia, agravar depressão, entre outros efeitos.

A PC-AM prendeu o dono e dois funcionários da clínica veterinária Casa do Criador, localizada na zona Oeste de Manaus, suspeita de fornecer ilegalmente os medicamentos utilizados pela família Cardoso como entorpecentes, como uma das atividades da seita “Pai, Mãe, Vida”. Ao cumprir o mandado de busca e apreensão no local, os investigadores encontraram o estoque de medicamentos.

Investigadores cumprem mandado de busca. (Divulgação/PC-AM)

Segundo o delegado Cícero Túlio, titular do 1° Distrito Integrado de Polícia (DIP) e que está à frente da operação que investiga o Caso Djidja, o dono da clínica veterinária Max Vet e responsável técnico pela Casa do Criador, José Maximo Silva de Oliveira, é considerado foragido.

“As buscas realizadas hoje, em clínicas e pet shops, se referiram a empreendimentos comerciais nos quais ele figura, inclusive, como responsável técnico. A gente já tem a qualificação dele, já tentávamos notificar ele para comparecer na nossa unidade policial. Acabamos identificando que ele estava se esquivando, por isso nós representamos pela prisão dele”, declarou o delegado.

Risco

Atualmente, o uso de um produto veterinário para a saúde humana é uma prática ilegal no Brasil. A venda de forma lícita do Potenay pode ser feita somente mediante prescrição médica-veterinária, e a bula do medicamento ressalta que o uso humano pode causar graves problemas à saúde.

Trecho da bula do medicamento (Arquivo Pessoal)

No ano de 2022, a influenciadora Suzy Cortez, na época com 32 anos, disse ter quasse morrido após utilizar o Potenay com o objetivo de melhorar seu desempenho nos treinos. Segundo Suzy, o seu corpo caiu em um vício totalmente inconsciente na substância.

“Tive uma falsa sensação de energia e não parei mais de usar. Quando não tinha o Potenay, eu ficava desesperada. Cheguei a me cortar, a bater com a cabeça na parede. Tive crises existenciaisFui parar no hospital com pressão alta por conta do remédio, mas não tinha noção disso, porque nunca associei meus problemas a ele, achava que era a depressão”, relatou a influenciadora.

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Editado por Aldizangela Brito