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Cultura Confira dicas de filmes para compor um bom programa cultural no Dia da Consciência Negra

Arnoldo Santos – Da Revista Cenarium

MANAUS – Neste dia 20 de novembro, uma boa opção de lazer é sentar à frente da telinha, ou seja tamanho que for, fazer a pipoca, a tapioca, preparar o chimarrão, o pão de queijo, a paçoca de carne seca, o pajauaru ou mesmo o acarajé e ver a cultura brasileira na forma de boas produções de cinema. Mas já que a data celebra a Consciência Negra, também pode-se cruzar as fronteiras para ver que os roteiros mudam de língua, mas não de inspiração. As produções mostram nas telas a mesma luta de “ladrões mulatos, e outros quase brancos, tratados como pretos só para mostrar aos outros quase pretos…” como são tratados, como bem canta Gilberto Gil em sua baianidade universal. Então, se é para falar de preto, no dia em que Zumbi dos Palmares teria morrido, em 1695, maratone na lista que a CENARIUM preparou.

CAFÉ COM CANELA – Direção de Glenda Nicácio e Ary Rosa

O drama retrata a história de Margarida. Após o falecimento de seu filho, ela se separa do marido e perde o contato com os amigos. No entanto, a história ganha um caminho diferente quando Margarida reencontra Violeta, uma de suas ex-alunas. A produção, lançada em 2017, foi o primeiro longa-metragem nacional de ficção dirigido por uma mulher negra a entrar em cartaz em 34 anos.

TEMPORADA – Direção André Novais Oliveira.

Juliana é uma mulher negra que está se mudando de Itaúna, no interior de Minas Gerais, para Contagem, que fica na região metropolitana de Belo Horizonte. No longa, ela se adapta à nova rotina, ao novo emprego e faz novos amigos enquanto espera a chegada do marido, que também se mudou para a cidade. O filme, lançado em 2019.

FILHAS DO VENTO – Direção Joel Zito Araújo

Após 45 anos separadas por um incidente familiar, duas irmãs se reencontram após a morte do pai. Filhas do Vento retrata a relação familiar e o reencontro de quatro mulheres em Lavras Novas, no interior de Minas Gerais. O longa-metragem, lançado em 2005, mostra o racismo e os resquícios da escravidão na pequena cidade mineira que possui uma população majoritariamente negra.

Ó PAÍ, Ó – Direção de Monique Gardenberg

Este é um grande conhecido dos fãs de cinema nacional. O longa, dirigido por Monique Gardenberg, conta a história de 12 personagens que vivem em um cortiço no Pelourinho, em Salvador, durante o Carnaval. Além de retratar a animação e a euforia do centro histórico da cidade baiana, o filme também aborda o contraste social e a pobreza na região.

A COR PÚRPURA (1985) – Direção de Steven Spielberg

Baseado no romance da escritora afro-americana, Alice Walker, A Cor Púrpura tem como protagonista Whoopi Goldberg. Conta a história de Celie, uma mulher negra marcada por abusos. Violentada pelo pai aos 14 anos, Celie enfrenta repressões causadas pelos homens durante toda a sua vida. Com diversas indicações ao Oscar, o filme rendeu o prêmio de melhor atriz para Whoopi Goldberg no Globo de Ouro.

MISSISSIPI EM CHAMAS (1988) – Direção de Alan Parker

Dirigido por Alan Parker, Mississipi em Chamas conta a história de uma investigação sobre a morte de três militantes negros. Dois agentes do FBI, interpretados por Willem Dafoe e Gene Hackman, lideram a investigação em uma pequena cidade dos Estados Unidos. No local, o racismo é latente e a segregação social contra a comunidade negra é visível. Em 1989, o filme foi premiado com o Oscar de Melhor Fotografia. Também recebeu três prêmios BAFTA, em 1990. Ainda naquele ano, Gene Hackman foi premiado como melhor ator pelo Festival de Berlim.

MALCOM X (1992) – Direção de Spike Lee

Estrelado por Denzel Washington, Malcom X é um drama baseado na autobiografia do ativista. Dirigido por Spike Lee, o filme dramatiza situações reais da vida de Malcom. Entre elas, a sua conversão para o islamismo enquanto esteve preso. Além disso, Malcom X retrata a importância do ativista na luta contra o racismo. Em 1993, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Ator e Melhor Figurino. Também foi indicado ao Globo de Ouro, daquele ano, pela atuação de Denzel Washington, vencendo o Urso de Prata da categoria, em Berlim, em 1993.

ALI (2001) – Direção de Michel Mann

Dirigido por Michael Mann, Ali é uma cinebiografia sobre o boxeador Muhammad Ali. Interpretado por Will Smith, o filme retrata o período de sua vida entre 1964 e 1974. Além disso, mostra como ele se relacionava com os movimentos negros, destacando sua amizade com Malcom X. Em 2002, o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante. Também foi indicado ao Globo de Ouro de 2002 nas mesmas categorias, vencendo o MTV Movie Awards de Melhor Ator.

DJANGO LIVRE (2012) – Direção de Quentin Tarantino

Em Django Livre, o diretor Tarantino subverte a lógica de heróis do cinema hollywoodiano, tendo o Velho Oeste como cenário. O ex-escravo Django, interpretado por Jamie Foxx, é libertado pelo assassino de aluguel Schultz  (Christoph Waltz). Em conjunto, os dois vão em busca da esposa de Django, separada dele em uma das casas onde foram escravizados.

Nessa jornada, Django enfrenta uma série de situações racistas, comuns à época, com referências aos dias atuais. Django Livre arrecadou $ 425 milhões de dólares, sendo o filme de maior bilheteria de Tarantino até hoje. Além disso, recebeu cinco indicações ao Oscar de 2013, incluindo Melhor Filme, sendo premiado na categoria de Melhor Roteiro Original.

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO (2013) – Direção de Steve McQueen

Vencedor do Oscar de Melhor Filme, 12 Anos de Escravidão retrata a vida do músico negro Solomon Northup. Interpretado por Chiwetel Ejiofor, Solomon vive livremente com sua família no ano de 1841. A vida de Solomon sofre uma reviravolta quando ele é sequestrado, sendo vendido como escravo. Ele é obrigado a trabalhar em plantações no estado da Louisiana por 12 anos. O filme foi muito elogiado pela crítica em todo mundo, recebendo diversas indicações ao Oscar, Globo de Ouro e BAFTA, em 2014.

JUDAS E O MESSIAS NEGRO (2021) – Direção Shaka King

Judas e o Messias Negro é um drama biográfico baseado na história do ativista Fred Hampson e do Partido dos Panteras Negras. Produzido pela Warner, o filme é protagonizado por Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield. Na história, Fred Hampson chama a atenção do FBI, por sua retórica forte e oratória marcante. O longa foi elogiado pela crítica pela abordagem de temas atuais como: a injustiça racial. Lançado durante a pandemia, Judas e o Messias Negro foi premiado com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, em 2021, pela atuação de Kaluuya. Também recebeu premiação do Globo de Ouro e do BAFTA na mesma categoria, pela mesma atuação.

BESOURO (2009) – direção de João Daniel Tikhomiroff

Produção brasileira, dirigida por João Tikhomiroff, Besouro é uma cineobiografia sobre a vida do capoeirista Besouro. O filme narra fatos heróicos e lendários atribuídos ao capoeirista ocorridos na década de 1920, na Bahia. Interpretado por Aílton Carmo, Besouro recebe ensinamentos para defender seu povo, combatendo opressões e preconceitos. Coreógrafo de Kill Bill, Huen Chiu Ku, foi o responsável pelas cenas de luta do filme. Besouro é o único filme brasileiro premiado pela PAFF, festival internacional focado em produções com heranças africanas.

MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR (2016) – Direção de Barry Jenkins

Em Moonlight: Sob a Luz do Luar, acompanhamos três momentos da vida de Chiron, um jovem negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Do bullying na infância, passando pela crise de identidade da adolescência e a tentação do universo do crime e das drogas, este é um poético estudo de personagem.

HOMENS DE HONRA (2000) – Direção George Tillman Jr.

Carl Brashear (Cuba Gooding Jr.) veio de uma humilde família negra de Sonora, Kentucky. Ainda garoto, no início dos anos 40, já adorava mergulhar. Se alistou na Marinha esperando se tornar um mergulhador. Inicialmente Carl trabalha como cozinheiro que era uma das poucas tarefas permitidas a um negro na época. Quando Brashear solicita a escola de mergulhadores encontra o comandante Billy Sunday (Robert De Niro). No princípio Sunday faz muito pouco para encorajar as ambições de Brashear e o aspirante a mergulhador descobre que o racismo no exército é um fato quando os outros aspirantes brancos… Quer saber mais sobre essa história? Confira e aproveite.