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Meio Ambiente COP 26: Governo do AM apresenta estratégias para redução de emissões de gases poluentes

Desmatamento e queimadas ilegais são principais influências para as mudanças climáticas (Divulgação/Imazon)

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Sendo o centro das atenções no maior evento do mundo sobre mudanças climáticas, o Brasil chega a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 26), que acontece em Glasglow, na Escócia, apresentando resultados e planos para priorizar a capitação de recursos e o compromisso na redução de emissões de gases poluentes. Em entrevista exclusiva à CENARIUM, o secretário de Meio Ambiente do Amazonas, um dos principais Estados que estarão no evento, Eduardo Taveira, destacou as estratégias para se obter essa redução.

De acordo com Taveira, o Amazonas levará a estratégia de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Reed), que será apresentada de forma “robusta”, do ponto de vista do cumprimento e da participação do Estado na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC).

“Nós estamos ampliando as ambições do Estado do Amazonas. Essa é uma conversa que a gente está tendo com todos os governadores e, além disso, nós também assinamos um acordo de cooperação e aderimos a uma campanha chamada Race To Zero“, explicou.

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Taveira destaca ainda que a campanha envolve a indústria, setor privado e setor público, pensando em soluções ambientais e alternativas para reduzir as emissões, aliadas ao desenvolvimento sustentável e econômico.

“Isso é muito significativo, pois o Amazonas é um Estado onde a pobreza ainda é prevalente. Em geral, os países ricos, que nos trouxeram à beira desse precipício climático, com o aumento das emissões, aumento da produção, em geral também aumentaram a sua riqueza com base nos recursos naturais”, ressalta.

O secretário destacou ainda que existe um desafio grande para países como o Brasil e para regiões como a Amazonas, que é saber como vai crescer não repetindo os mesmos erros cometidos até o momento.

“Então é uma quebra de paradigmas muito grande, é um peso ainda maior para países como o Brasil e é necessário essa articulação na agenda para que ao mesmo tempo que se tenha compromissos de redução, países também desenvolvidos tenham compromissos de financiar as agendas de economia e de mudança climática, também em países em desenvolvimento”, relatou.

O secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira. (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Articulações

Sobre a relação com os outros nove Estados que compõem a Amazônia Legal, existe uma articulação, por meio do Fórum de Secretários do Meio Ambiente da Amazônia Legal, que tem trabalhado em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente em uma programação integrada, em especial, relacionado ao espaço que o Brasil vai atuar dentro da “zona azul” na COP 26.

A zona azul é o pavilhão principal onde acontecem as principais atividades e as negociações da COP e onde ocorrerão agendas, inclusive integradas, parte delas acontecendo no Brasil, de forma online. O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), participará de uma dessas atividades, sendo transmitido em tempo real para o espaço do Brasil em Glasglow”.

Outra articulação mencionada por Taveira é o consórcio dos governadores da Amazônia Legal, que também terá um espaço específico dentro da zona azul. A expectativa é que essa participação subnacional também ganhe destaque.

“Ao mesmo tempo que se busca uma articulação com o Ministério do Meio Ambiente, representando o governo federal na comitiva da COP, também tem a articulação subnacional para que os Estados também possam apresentar suas demandas, em especial por parte de grandes financiadores que tem uma agenda grande de captação de recurso pelo consórcio. Além disso, tem o Plano de Recuperação Verde, que é uma iniciativa dos governadores de retomada econômica de baixas emissões”, explica o secretário.

Eduardo destaca ainda que o Amazonas também está assinando um decreto de compromisso de redução da suas emissões para levar à COP.

“Lançamos em Belém, na última semana, durante o Fórum de Bioeconomia, a nossa estratégia estadual de redução de emissões e desenvolvimento sustentável, onde a gente aumenta nossas estratégias de redução de emissões e também apresenta um cenário de novos investimentos para setores como, por exemplo, a bioeconomia e um incremento tecnológico na agricultura e na pecuária, desenvolvendo mais alternativas para aumento de produtividade, com menor pressão sob a floresta também”, explicou.