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Meio Ambiente Em Manaus, nível do rio Negro atinge cota recorde para os cinco primeiros dias do ano

Medição do nível do Rio Negro no Porto de Manaus (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS — O nível do rio Negro em Manaus atingiu cota recorde para os cinco primeiros dias do ano, chegando a 24,11 metros nessa quarta-feira, 5. As informações são do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Essa já é a maior cota da história registrada neste período e a subida do nível do rio fora da normalidade já preocupa autoridades estaduais.

A maior cota do rio Negro até o dia 5 de janeiro havia sido registrada em 1994, de acordo com os dados do CPRM, quando o nível chegou a 23,91 metros. Os outros três maiores registros foram em 1987, com a cota de 23,36 metros, em 2020, com 23,18 metros e em 1974, quando o nível do rio chegou a 23,06 metros.

Em dezembro, em coletiva, o governador do Amazonas, Wilson Lima, afirmou que os níveis dos rios no Estado já estavam fora da normalidade para o período e a previsão até então é que deverão superar, em 2022, as cotas históricas registradas em 2021.

A previsão ainda é que mais de 500 mil pessoas, cerca de 130 mil famílias, sejam afetadas neste ano. “Se o ritmo de subida dos rios continuar acelerado, existe a possibilidade de que todos os municípios sejam afetados pela cheia de 2022”, disse o governador na época.

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Todos os 62 municípios do Estado devem ser atingidos pela enchente, mas as primeiras cidades começam a sentir os impactos iniciais entre o fim de janeiro e o início de fevereiro do próximo ano. O governo estadual anunciou ainda a operação ‘Enchente 2022’, um plano de ação com orçamento inicial de R$ 100 milhões para ações de ajuda humanitária.

Cheia histórica

O nível do rio Negro alcançou a maior cota da história, de 30,02 metros, em 16 de junho do ano passado. Esse foi o maior marco em 118 anos. A cheia histórica de 2021 foi consequência do alto volume de chuvas no início do ano e se deu pela condição do Oceano Atlântico de neutralidade no sul e aquecimento no norte.

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Outro fator, somado ao deslocamento da formação de nuvens, é o fenômeno La Niña, que leva as áreas de precipitação a se concentrarem ao Norte. O Governo do Amazonas indica que, para 2022, o La Niña deve ser uma das causas, também, da cheia fora da normalidade.