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Central da Política Em primeira entrevista após cassação, ex-governador do AM acusa senador de ‘descumprir acordo’ em eleição

O ex-governador José Melo (à esq.) e o senador Eduardo Braga (à dir.) (Arte: Catarine Hak/Cenarium)
Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – O ex-governador do Amazonas José Melo, que teve mandato cassado em 2017, afirmou em entrevista na manhã desta segunda-feira, 8, em primeira declaração pública após sua prisão, que foi vítima do senador Eduardo Braga (MDB) durante seu governo. Melo contou como assustou “velhos caciques” e caiu em “pernadas políticas”. Ele é filiado do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) e está lançando pré-candidatura a deputado estadual.

Melo foi preso em janeiro de 2018 junto com a ex-primeira-dama Edilene Oliveira. Ambos, e mais um grupo de ex-secretários, foram indicados por envolvimento em desvio de verbas da saúde estadual. Entre os crimes estava corrupção passiva, ocultação de bens e associação criminosa.

José Melo lembrou que foi convidado por Braga para fazer parte do governo dele na época e que os dois tinham um ”compromisso firmado’’. Eduardo Braga foi o autor do inquérito que culminou na cassação de José Melo.

”Ele me perguntou: ‘Você vem me ajudar? O que você quer da sua vida?’. Eu disse que queria ser governador um dia, ele me disse: ‘muito bem, me ajude agora que eu te ajudo depois, é um compromisso’. Esse compromisso foi firmado, depois não foi cumprido”, afirmou o político.

“Meus planos eram ter uma candidatura em chapa ao governo com ele [Eduardo Braga], então falei com ele, então vamos fazer chapa? No que ele me respondeu com um sorriso: ‘tu achas que eu vou perder uma eleição para um professorzinho do interior?’. Nisso eu respondi para ele: ‘bem enquanto você dorme até as 11h, eu já estou acordado às 5h rezando e às 6h já estou trabalhando’. Naquele ano venci ele com 173 mil votos de diferença”, declarou Melo.

O ex-governador do Amazonas José Melo (Divulgação/Internet)

Eleições

José Melo foi eleito governador do Amazonas em 2014 no segundo turno, com 55,54% dos votos válidos contra os 44,46% dos votos do adversário Eduardo Braga. Desde aquele ano Braga tenta voltar a ser chefe do Executivo estadual, mas não obtém sucesso na corrida eleitoral. Na época, Braga ajuizou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o ex-governador e o ex-vice-governador Henrique Oliveira por abuso de poder, arquivada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) em 2019.

Em 2017, Braga disputou a eleição suplementar do Amazonas — determinada após a cassação de José Melo — contra Amazonino Mendes, mas também perdeu o pleito. Em 2018, Braga não concorreu à eleição para o Governo do Estado, mas à disputa pelo Senado, quando foi eleito.

Leia também: Em campanha eleitoral disfarçada, senador Eduardo Braga se autointitula ‘esperança do Amazonas’

Para as eleições de 2022, Braga se autointitula a “esperança do Amazonas” e é um eventual candidato ao governo estadual. O senador acelerou, a partir do segundo semestre deste ano, a visita aos municípios do Estado para divulgar as ações do mandato no Congresso, usando um discurso mais agressivo contra políticos que ele julga adversários e entoando frases de efeito sobre perspectiva de vida para as pessoas que o acompanham nas reuniões.