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Central da Política ESPECIAL – E agora?: Rede de Maldade e Morte

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina” (Reprodução/Internet)

Iury Lima – Da Revista Cenarium

VILHENA (RO) – Jair Bolsonaro não foi o único a tomar decisões contraditórias à contenção do novo coronavírus. O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid pediu, ao todo, 80 indiciamentos pela prática de 22 crimes apurados pelo Senado Federal, cometidos durante a pandemia. São 78 pessoas, além de duas empresas: Precisa Medicamentos e VTCLOG, ambas suspeitas de corrupção na venda de imunizantes (Covaxin) e de fraudar contratos com o Ministério da Saúde.

O número de sugestões para indiciamento subiu após a inclusão de mais 12 pedidos no texto final, em 26 de outubro, incluindo os nomes do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e do ex-secretário estadual de Saúde, Marcellus Campêlo, que se juntam ao grupo dos apontados como responsáveis por crimes contra a humanidade. O desfecho de mais de seis meses de sessões é resultado de 520 pedidos de informação e 251 quebras de sigilo, reunidos em 9 terabytes de arquivos.

Na avaliação do cientista político Carlos Santiago, a CPI constatou uma “rede da maldade, da morte, articulada por inúmeros brasileiros, de governantes, empresários a líderes religiosos, que causaram muito mal à sociedade”.

“Quem incentivava o tratamento precoce sem eficácia científica, quem disseminava notícias falsas contra vacinas, alimentava dificuldades para aquisição de imunizantes ou ainda o lobby para consegui-los a preços absurdos (…) hospitais particulares utilizando métodos não científicos para bajular governantes e também para obter mais lucros, líderes de instituições religiosas agindo contra medidas de contenção da pandemia e, ao mesmo tempo, vendendo facilidades, vendendo cura nas redes sociais, além dos empresários que lucraram com a pandemia (…) essa rede contribuiu e muito para o alto índice de mortes por Covid no Brasil”, completou o especialista.

Santiago enfatiza que um dos principais atores “dessa rede” e, consequentemente, “dessa tragédia brasileira’’, é o presidente da República que, agora, poderá responder pelos crimes indicados. “A CPI pede o indiciamento dele, mas não só dele, e sim, também de seus familiares envolvidos nessa rede da maldade, nessa rede da morte”, afirmou.

O advogado, sociólogo e cientista político Helso Ribeiro aponta que Bolsonaro deve perdão à sociedade. “Eu acredito que o presidente tem uma falha com a população brasileira ao ter minimizado a questão do vírus e, acima de tudo, acredito que o presidente tem uma dívida de pedir perdão a parte dos familiares que tiveram seus entes queridos vitimados, porque ele minimizou, ele riu, ele gargalhou: ‘eu não sou marica’, ‘eu não sou coveiro’, ‘vai procurar vacina com a tua mãe’, enfim (…)”, declarou indignado.

“Cabe a todos nós, no exercício da cidadania, tentar pressionar e verificar o que se vai fazer daqui pra frente”, concluiu Ribeiro.

Já Carlos Santiago espera agora que o Ministério Público Federal (MPF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) deem “uma resposta à altura a esse pedido de indiciamento da CPI, uma resposta contra aqueles que maltrataram a sociedade”. E finaliza lamentando o fato de que “fica na história brasileira e mundial o absurdo de ter um governante que trabalha contra a saúde pública e contra a vida de seu próprio
povo”.