Esquema de voos clandestinos em Terra Yanomami tinha oficina de aeronaves

14 de maio de 2024

22:05

Bruna Cássia Alves – Da Revista Cenarium

BOA VISTA (RR) – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) destruiu uma pista clandestina em uma área conhecida como Cumaru, na zona Rural da capital roraimense. As informações foram divulgadas em nota pelo Governo Federal.

Segundo o Ibama, a pista era usada como apoio logístico das atividades garimpeiras ilegais na Terra Indígena Yanomami (TIY) que abrange os Estados de Roraima e Amazonas. A ação contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O órgão disse, ainda, que o local operou por pelo menos um ano como uma espécie de oficina que oferecia suporte para as aeronaves usadas pelos criminosos. Na área, também foram encontrados pedaços de aeronaves de asas rotativas e fixas.

“Durante a ação, foram apreendidos e desativados bens que eram utilizados no suporte logístico do garimpo ilegal. Segundo os agentes, ao longo da operação, um avião sobrevoou o local, possivelmente para pouso, mas arremeteu quando percebeu a presença das equipes de fiscalização”, acrescentou.

Aeronave em oficina improvisada dentro da Terra Indígena Yanomami (Ibama)

A nota não disse a data da ação, somente informou que ocorreu neste mês de maio. Também informou que notaram redução significativa da atuação de mineração ilegal na TIY no ano de 2023, sendo 85% em relação a 2022.

“O Ibama atua na TI Yanomami desde fevereiro de 2023. O objetivo da operação é coibir as atividades ilegais que ocorrem na região e que têm causado impactos ambientais significativos, além de afetar diretamente a vida e os direitos dos indígenas da região”, disse.

Esta ação é realizada por meio da Casa de Governo, instalada em fevereiro deste ano em Boa Vista, a fim de monitorar e enfrentar a crise humanitária na Terra Indígena Yanomami.

De acordo com o Ministério dos Povos Indígenas, os mais de 31 mil yanomami que ocupam território, são vítimas da leniência da gestão passada com a presença do crime organizado na região e dos extrativistas ilegais que envenenam os rios e ameaçam a vida de povos isolados.

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Editado por Aldizangela Brito