Favorável à exploração na Foz do Amazonas, nova presidência da Petrobras preocupa entidades ambientais

Petrobras quer explorar bacia da Foz do Amazonas; Marina e Ibama exigem estudos ambientais (Geraldo Falcão/Agência Petrobras)

21 de maio de 2024

18:05

Raisa Araújo – Da Agência Cenarium

BELÉM (PA) – Após a Folha noticiar que, após ser nomeada, a nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard, pediu a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para solucionar os entraves na exploração de petróleo na Foz do Amazonas, a fim de liberar a atividade, ambientalistas reagiram com preocupação à informação. À AGÊNCIA CENARIUM, a diretora de Campanhas do Greenpeace Brasil, Raíssa Ferreira, afirmou que a nomeação de Chambriard representa uma mudança radical na estatal.

Magda Chambriard é engenheira, especialista em exploração e produção de petróleo e assumiu a presidência da Petrobras após a demissão de Jean Paul Prates. Ela vem expressando opiniões sobre o futuro desse tipo de exploração, no Brasil, há algum tempo e defendeu, em entrevista ao Estadão, em setembro de 2023, que a exploração de petróleo na costa amazônica é essencial para a manutenção da produtividade da petrolífera.  

“No caso da Chambriard, o desafio, mas também uma oportunidade que se coloca, seria ela apresentar um plano ambicioso e acelerado de transformação da empresa [Petrobras], excluindo o bioma amazônico e outras regiões sensíveis da prospecção de petróleo. Não dá para termos, por exemplo, o governo federal reduzindo o desmatamento com uma mão e aquecendo o planeta com a exploração de petróleo com outra”, disse Ferreira.

A diretora de Campanhas do Greenpeace Brasil, Raíssa Ferreira (Divulgação)
Zona sensível

A diretora do Greenpeace ressalta, ainda, que a zona de interesse da pretroleira é extremamente sensível ambiental e socialmente. Em maio de 2023, o Instituto Brasileiro dos Recursos Naturais e Renováveis (Ibama) desaconselhou, pela primeira vez, a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e rejeitou a perfuração do bloco 59 da bacia da margem equatorial.

Em abril deste ano, a instituição esteve com o veleiro Witness na costa amazônica, na expedição Amazônia Viva, e documentou a biodiversidade da Foz do Amazonas, além de fomentar a produção de conhecimento científico sobre a dinâmica das águas da região, contribuindo para o debate público e científico sobre a segurança e os potenciais impactos sociais e ambientais da exploração de petróleo na região.

A importante e imponente Foz do Rio Amazonas vista do Espaço (Reprodução/Amazon River)

Essa região vai do Pará até o Amapá e abriga um grande sistema de recifes da Amazônia, sendo um dos maiores corredores contínuos de manguezais do planeta. Por isso, é importante dedicar tempo e energia para essa expedição.

Pesquisa científica

A pesquisa foi realizada pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), com apoio do Greenpeace. Sete derivadores, equipamentos oceanográficos com GPS, foram lançados ao longo da costa do Amapá para entender para onde as correntes marítimas levariam as boias em caso de um vazamento de óleo. 

Dos sete derivadores, dois tocaram a costa do Amapá, na área de proteção ambiental do arquipélago do Marajó, e na reserva biológica do lago Piratuba. Outros cinco atravessaram a fronteira brasileira, chegando à Guiana Francesa e ao Suriname.

Veleiro Witness, do Greenpeace (Divulgação)

Os resultados indicam que um potencial derramamento de petróleo pode impactar as relações com outros países e afetar comunidades pesqueiras na região, além do impacto ambiental nos manguezais.

Impactos

Além da pesquisa, também houve conversas com comunidades locais sobre a exploração de petróleo na região. Essas comunidades tradicionais, quilombolas, ribeirinhas e indígenas, têm menor acesso à informação e à compreensão dos impactos a longo prazo.

“Nessa conversa, durante a expedição, lançamos um estudo inédito, elaborado pela consultoria Mapari, onde entrevistamos quase 150 pessoas. Dessas, 42% tinham expectativas negativas sobre o petróleo e um terço não tinha informação suficiente para opinar. Dos que tinham expectativas negativas, quase 70% citam o vazamento de óleo como uma possível causa de impacto sobre a pesca e a vida marinha da região e seus modos de vida”, explicou Raíssa. 

Em termos de expectativas para os próximos anos, é essencial monitorar as ações do setor público e privado e como essas podem impactar o futuro. Para Raíssa Ferreira, é preciso garantir que a transição ecológica planejada seja implementada, usando a voz da sociedade para exigir responsabilidade na exploração de áreas sensíveis.

Leia mais: Pesquisadores avaliam potenciais impactos da exploração de petróleo na Foz do Amazonas
Editado por Adrisa De Góes