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Sociedade Há três anos desempregada, professora de reforço improvisa anúncio para buscar alunos

Cartão escrito à mão sobre os serviços de reforço que são oferecidos pela professora. (Reprodução)

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Sem conseguir emprego de carteira assinada há cerca de três anos, a professora Luiza de Marilac de Sousa precisou se adaptar à nova crise mundial, ocasionada pela pandemia da Covid-19, em busca de sobrevivência. Graduada em Serviço Social e especialista em Metodologia do Ensino, a educadora decidiu que não poderia mais ficar obsoleta e que precisava trabalhar: foi quando ela resolveu ministrar aulas de reforço e então faz plaquinhas à mão em busca de alunos para aulas.

Anúncio foi produzido pela própria professora. (Arquivo pessoal/ Reprodução)

“Eu penso que temos que lutar sempre e nos reinventar. Fiz esses informativos à mão e distribuí na tentativa de atrair alguns futuros interessados, pois, estamos em tempos muitos difíceis e precisamos sobreviver, buscar novos meios para obter recursos e assim honrar nossos compromissos”, comentou a professora.

Em entrevista à CENARIUM, Luiza de Marilac de Sousa contou que, durante muito tempo, foi professora de aulas de reforço e quando se graduou no ensino superior, passou a trabalhar apenas com suporte acadêmico. Após ficar desempregada, em 2018, a professora atuou como autônoma em várias atividades para suprir as necessidades pessoais dela. Contudo, lembra ela, quando o novo coronavírus se instaurou em Manaus, onde vive com a família, a situação financeira dela ficou difícil. “Veio a pandemia e a situação ficou muito difícil. Distribuí currículo em diversas instituições, até para vendedora, pois já trabalhei um bom tempo com isso e, mesmo assim, não consegui nada”, salientou Luiza.

Luiza de Marilac de Sousa é professora de metodologia do ensino. (Arquivo Pessoal/ Reprodução)

Sem vagas

A profissional de Educação acredita que é indubitável que há a necessidade de mais vagas para professores, pois as próprias estimativas do governo apontam para esse fato. “Dados do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] aponta que o salários dos professores é 35% inferior do que os demais profissionais com ensino superior. O IBGE aponta que 2021 a taxa de desemprego é de 14,7% só no primeiro trimestre, esse fato também é resultado da pandemia, o que tem deixado de fora da atuação muitos profissionais que têm buscado outros meios para gerar renda”, reforçou Luiza de Marilac.

Para a professora, é preciso de mais políticas públicas voltas para a Educação e a remuneração baixa tem sido um dos motivos que tem conduzido a profissão não ser tão atraente. “Soma-se isso a falta de estrutura nas escolas, inexistência de equipamento e outros serviços básicos, isso sem falar que a representação do docente hoje perdeu valor, pais e alunos não respeitam mais o educador. E isso desmotiva e torna precária a profissão. Mas a Educação é algo lindo. E tudo isso vivido pelos docentes tem origem histórica,  para isso precisaríamos rever muitas coisas. Mas Pitágoras diz: eduque as crianças e não precisará castigar os homens”, concluiu a professora Luiza.

As aulas

As aulas de reforço são destinadas para todos estudantes do ensino médio, fundamental (do 5º ano ao 9º ano. Luiza de Marilac também trabalha com auxílio na apresentação, elaboração e revisão de trabalhos escolares e acadêmicos, além de auxílio na utilização de plataformas educacionais do Google. Para obter mais informações ou entrar em contato com a professora, basta ligar para o número (92) 98451-5616.