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Central da Política Instabilidade em aplicativo do PSDB adia escolha do candidato para corrida presidencial

Virgílio e Doria em coletiva de imprensa. (Wesley Diego/ Cenarium)

Wesley Diego – Da Cenarium

BRASÍLIA (DF) – O aplicativo desenvolvido para as prévias do PSDB esteve instável durante todo domingo, 21, e causou frustração ao tucanato. Apenas 3,5 mil correligionários conseguiram votar até as 17h, horário inicialmente marcado para encerrar a votação. Pela manhã, quando começaram as queixas dos eleitores, o horário final foi prorrogado para às 18h. Dado o horário, a decisão do partido foi de paralisar a votação e guardar os votos já registrados no diretório nacional. “Os votos registrados neste domingo estão preservados e o PSDB está definindo, junto aos candidatos, em que momento o processo será retomado”, disse em nota o partido.

João Doria e Arthur Virgílio fizeram comunicado conjunto à noite. Os dois defendem ampla participação de todos os filiados e que as eleições internas fossem realizadas apenas com urnas eletrônicas. Os dois chegaram a sugerir que a votação fosse retomada no próximo domingo, 28, das 6h às 18h. A intenção seria garantir transparência no processo: “É urgente e necessário que essa empresa contratada pelo PSDB garanta que aqueles que acessarem o aplicativo poderiam ter o seu voto validado”, disse o governador de São Paulo.

Durante toda a tarde de domingo, a equipe contratada pelo PSDB para desenvolver o aplicativo tentou reativá-lo, mas sem sucesso. A Fundação de Apoio a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), responsável pelo app, disse em nota à imprensa que segue investigando as causas da instabilidade e, quando houver comprovação do motivo da falha, será levada a público. “Os votos até agora registrados não serão perdidos, e a segurança do sistema não foi afetada. Todo o processo está sendo acompanhado por técnicos representando as três chapas inscritas, garantindo lisura e transparência”, esclarece a FAURGS.

Bruno Araújo, presidente do PSDB, falando aos jornalistas. (Wesley Diego/ Cenarium)

Após reunião com Bruno Araújo com todos os envolvidos, Doria afirmou que o limite para definição das prévias tucanas é o próximo domingo. Em seguida Araújo não cravou a data e disse que dependerá da viabilidade técnica do aplicativo. “Tem uma coisa maior que a vontade dos dois governadores, que é a viabilidade técnica. Essa será a imperadora do processo”, disse Araújo a jornalistas após a reunião. O presidente do PSDB confirmou que as prévias são “irreversíveis” dentro do partido e afirmou que o resultado que será anunciado ao fim do processo será “definitivo”.

O racha do PSDB: Doria x Leite

Candidatos abraçados no início do evento das prévias do PSDB. (Wesley Diego/ Cenarium)

Um racha claro dividiu o PSDB. Um exemplo desta quebra são as diferentes soluções propostas por Doria e Leite para finalização das prévias. Durante a tarde, a equipe de Eduardo Leite defendia adiar as prévias para 2022, anulando todo o processo até aqui, inclusive zerando todos os votos. A versão foi negada pelo governador do RS. Doria e Virgílio insinuaram que a campanha de Eduardo Leite tenha se beneficiado da paralisação do app e dizendo que a ideia de criar o aplicativo foi do diretório do Rio Grande do Sul, estado governado por Leite. O ex-senador do Amazonas também não poupou críticas e citou nominalmente quem ele acredita estar causando o racha no partido:

“Vejo duas questões importantes a colocar. A primeira é que nós temos uma bancada que tem se comportado como bolsonarista ao longo das votações mais relevantes. E a segunda é que considero o PSDB carregado de maçãs boas mas tem uma que está estragando bastante as outras e dou nome e sobrenome: Aécio Neves”, acusa Virgílio. Aécio Neves é grande opositor de João Doria, a quem Virgílio assumidamente faz campanha. O ex-prefeito de Manaus chegou a dizer que é voto vencido nas prévias: “Eu sou anti-candidato e portanto livre como um passarinho pra falar tudo o que eu quero falar”. 

O clima bélico deflagrado nos últimos dias e atenuado ontem, dia das prévias, põe em risco a união do partido, assunto exaustivamente questionado aos candidatos. João Doria falou que o partido sofrerá um processo natural de depuração: “Está claro que a maioria do PSDB quer votar e fazer o exercício democrático do voto, querem transparência no processo. Aqueles que desejarem diferentemente disso terão opção de escolher outro partido, vão buscar um partido que atenda a suas conveniências”, conclui Doria.

Eduardo Leite em coletiva de imprensa. (Wesley Diego/ Cenarium)

Anteriormente, Eduardo Leite garantia em debates e entrevistas que não deixaria o PSDB caso fosse derrotado nas prévias. Mas, questionado se sairia da sigla se perdesse a vaga para corrida presidencial, não foi categórico como antes. “Este processo (as prévias) não se concluiu, não posso fazer qualquer tipo de análise de futuro antes da conclusão deste processo”, diz Leite. 

Como são as prévias do PSDB?

O modelo de prévias foi importado dos Estados Unidos onde os dois maiores partidos, Democratas e Republicanos, organizam uma disputa interna para escolher seu candidato à presidência. É a primeira vez que o PSDB adota a forma americana para indicar seu candidato. Quase 45 mil filiados tucanos se inscreveram para votar neste domingo. De acordo com dirigente do PSDB essa forma de escolha foi firmada por ser mais democrática. 

A votação aconteceu de maneira híbrida entre urnas eletrônicas cedidas pela Justiça Eleitoral exclusivamente para a ocasião e por meio do aplicativo. Os filiados que possuem mandato votaram presencialmente nas urnas. Todos os outros correligionários depositaram seus votos através do aplicativo de celular.

Eduardo Leite vota em urna eletrônica cedida pelo TSE. (Wesley Diego/ Cenarium)

Porém os votos não têm valor igual como em uma eleição comum. Foram criados quatros grupos com peso de 25% cada um: o grupo 1 é de filiados sem mandato; o 2, de prefeitos e vice-prefeitos; o 3, de vereadores, deputados estaduais e distritais; e o 4, de governadores, vice-governadores, ex-presidentes e o atual presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, senadores da República e deputados federais. Ganha as prévias que atingir 50% dos votos mais um.