Mãe não é tudo igual: conheça as novas configurações de maternidade

Jocenir, Fernanda e Liana, Pepita e Alexya (Composição: Weslley Santos/Agência Cenarium)

12 de maio de 2024

15:05

Carol Veras – Agência Cenarium

MANAUS (AM) – De acordo com o dicionário Priberam, maternidade é o termo que define “o estado ou qualidade de mãe”. Contudo, especialistas indicam que é muito mais do que a exemplificação da terminologia. Além da complexidade do termo, a maternidade também tem sido ressignificada. Com o passar dos anos, novas configurações do tradicional maternar têm ganhado espaço na sociedade.

A visão americana da mãe dona de casa que usa avental já se tornou antiquada. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que 56% trabalhadoras entre 25 a 54 anos com crianças estavam empregadas em 2022.

Jocenir Pinto, mãe solteira, relata que precisou ter dois empregos para sustentar uma vida confortável para ela e para a filha. “Não podemos parar, se quisermos qualidade para as nossas crianças, além de cuidar em casa, precisamos cuidar de tudo financeiramente também”, afirma a assistente social.

Jocenir Pinto (Arquivo pessoal)

Também há a modernidade da mãe em dose dupla. Administradoras do perfil ‘Maternidade Lésbica‘ (ML) nas redes sociais, Fernanda Rodovalho e Liana Carmo trazem visibilidade e representatividade para mães que acompanham outras mães. As duas adotaram um casal de irmãos.

Na internet, o casal aconselha outras mães sobre o processo de adoção: “Se você pretende adotar, independente se já começou oficialmente o processo, aconselho que comece a seguir nas redes sociais e participar de cursos e eventos promovidos pelos Grupos de apoio à adoção (GAAs), você pode verificar se existe um na sua região acessando o site da ANGAAD (Associação Nacional de Grupos de Apoia à Adoção).”

Em relato, o casal se deparou com questionamentos que não imaginava existir durante a participação no grupo de apoio. “As pessoas tendem a romantizar demais a parentalidade e o processo de adoção. Via e ainda vejo muitas pessoas reclamarem da demora, da burocracia, etc. Porém, grande parte destas pessoas não se prepara para os desafios que podem surgir na construção de uma família“, escrevem.

Fernanda e Liana (Reprodução/Blog Maternidade Lésbica)

Mães transexuais também ganharam seu destaque. Em 2014, Alexya Salvador fez história ao se tornar a primeira mulher trans a adotar uma criança, juntamente com seu marido Roberto. A criança adotada foi Gabriel, um menino com necessidades especiais. A pastora também adotou duas meninas transexuais.

Alexya é cofundadora e vice-presidente do projeto Mulheres Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG) e compartilha informações sobre os direitos das pessoas LGBTQIAPN+ (Lésbicas, Gays, Bi, Trans, Queer/Questionando, Intersexo, Assexuais/Arromânticas/Agênero, Pan/Pôli, Não-binárias e mais).

Nas redes sociais, compartilha informações e momentos familiares. Recentemente, ela foi citada pela personagem Buba da novela “Renascer”, transmitida pela Globo. A personagem também é uma mulher transexual que pretende ser mãe.

Alexya Salvador (Reprodução/Facebook)

Além da pastora, Pepita, influenciadora e funkeira trans, anunciou a chegada de seu primeiro filho, Lucca Antonio, nas redes sociais. O bebê de 5 meses foi adotado na véspera do Dia das Mães, em 2022.

Nas fotos, Pepita segura o pequeno no colo ao lado do marido. Amigos, fãs e famosos parabenizaram o casal nos comentários, desejando bênçãos e felicidades para a nova família. “Prometemos te dar todo amor do mundo”, comenta a funkeira.

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Editado por Marcela Leiros
Revisado por Gustavo Gilona