Moraes, Aziz e Frota: veja alvos de espionagem ilegal da ‘Abin paralela’

Da esquerda para a direita: o ministro do STF Alexandre de Moraes, o senador Omar Aziz e o ex-deputado federal Alexandre Frota (Composição de Paulo Dutra/Agência Cenarium)

03 de fevereiro de 2024

16:02

Ricardo Chaves – Da Agência Cenarium

MANAUS (AM) – O nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, do senador Omar Aziz (PSD-AM) e do ex-deputado federal Alexandre Frota figuram em uma lista que aponta autoridades que foram alvo de espionagem ilegal da chamada “Abin paralela”, comandada pelo ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, segundo a Polícia Federal (PF).

Neste sábado, 3, Aziz e outros senadores citados realizam reunião remota para analisar o caso. O grupo pretende definir quais as providências a tomar em relação ao caso, conforme explicou a assessoria do político à AGÊNCIA CENARIUM.

O senador Omar Aziz (PSD-AM) (Reprodução/Agência Senado)

O parlamentar amazonense, que presidiu a CPI da Pandemia, defendeu no fim do mês passado que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), deveria solicitar a relação de políticos e outras figuras do poder que foram alvos de espionagem da Abin durante a gestão anterior do governo federal.

Monitoramento

A lista de autoridades espionadas foi revelada na sexta-feira, 2, pelo jornalista da Band, em Brasília, Túlio Amâncio, em reportagem veiculada no telejornal da emissora paulista, e aponta nomes como adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de ministros do governo dele e ex-aliados.

A cabeça do esquema seria Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente. Tanto Ramagem quanto o vereador negam participação.

Além de Omar Aziz, os senadores Humberto Costa (PT-PI), Alessandro Vieira (MDB), Rogério Carvalho (PT-SE), Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Otto Alencar (PSD-BA) e Soraya Thronike (Podemos-MS), além da então senadora, à época, e atual ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), constam na lista revelada.

Repercussão

A ex-presidenciável Soraya Thronike informou, por meio da rede social X (ex-Twitter), que vai até as últimas consequências para cobrar os culpados. “Por que eles monitoravam nossos cônjuges e nossos filhos? Quero muito saber a resposta”, disse a parlamentar.

A lista de senadores espionados tinha como alvo integrantes da CPMI da Covid. Em entrevista à Veja, o senador Otto Alencar, que integrou a comissão, criticou o monitoramento. O parlamentar explicou que a cúpula do colegiado se reunia na casa do senador Omar Aziz e tinha um acordo de não relevar informações estratégicas. No entanto, os detalhes eram divulgados e vazados na imprensa.

“Eles grampeavam, eles monitoravam. Meu telefone foi clonado. Eu tinha dificuldade de conversar com os colegas”, declarou Otto Alencar.

Alvos

Segundo as investigações, os nomes de deputados federais que foram aliados de Jair Bolsonaro e viraram desafetos políticos do ex-presidente passaram a ser rastreados. Entre eles, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maria (PSDB-RJ), Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e Alexandre Frota (PSDB-SP).

A lista traz também ex-aliados e ex-ministros de Bolsonaro, como Abraham Weintraub, da Educação; Anderson Torres, da Justiça; Flávia Arruda, da Secretaria de Governo, e o antecessor dela, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que rompeu com a família do ex-presidente.

Em um vídeo nas redes sociais, Weintraub condenou a espionagem. “Ele não é o que diz ser. A verdadeira essência dele é sombria”, declarou sobre o ex-presidente.

Segundo fontes da apuração, o ministro presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, também foi monitorado.

Ações

Os investigadores da Polícia Federal tiveram acesso aos números de telefones rastreados. O levantamento é demorado, pois foram mais de 60 mil contatos acessados pelo programa espião.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu prazo de dez dias para que o Congresso Nacional preste informações sobre a regulamentação do uso de ferramentas de monitoramento secreto (softwares espiões) de aparelhos de comunicação pessoal, como celulares e tablets, por órgãos e agentes públicos.

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Editado por Adrisa De Góes
Revisado por Adriana Gonzaga