MP-AM investiga aumento de preços de passagens para Parintins em junho

A cidade sedia, anualmente, o Festival Folclórico de Parintins (Composição: Weslley Santos/Revista Cenarium)

27 de maio de 2024

14:05

Emilli Marolix – Da Agência Cenarium

PARINTINS (AM) – O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) informou à REVISTA CENARIUM que instaurou procedimento para apurar o aumento de mais de 50% das passagens áreas e fluviais para o Festival Folclórico de Parintins, que acontece anualmente no município localizado a 369 quilômetros de Manaus, no Amazonas.

O evento, celebrado anualmente no fim de junho, é considerado um dos festivais folclóricos mais importantes do Brasil. Conhecido pela competição entre os bois-bumbás Garantido e Caprichoso, o festival atrai milhares de turistas de todas as partes do País e do mundo. Esse grande fluxo, no entanto, impacta significativamente nos preços das passagens aéreas e fluviais para a cidade.

Aeroporto Júlio Belém, em Parintins (Arquivo/Prefeitura Municipal de Parintins)

Levantamento feito pela AGÊNCIA CENARIUM em agências de viagens e sites de venda de passagens revela que o custo de voos partindo de Manaus e Parintins chega a ser três vezes maior comparado aos preços fora do “período bovino“.

Fora da temporada, uma passagem aérea de ida e volta entre Manaus e Parintins custa em torno de R$ 300 a R$ 600. Porém, durante o festival, esses valores podem alcançar a faixa de R$ 2.500 a R$ 5.000, de acordo com a pesquisa feita no site da empresa Amazon Best.

Preços das passagens no site da Amazon Best (Reprodução/Amazon Best)

As passagens de barco do tipo recheio, alternativa mais econômica, também registram alta, embora de menor magnitude. O preço do trecho, que varia entre R$ 100 e R$ 150 em dias comuns, pode chegar até R$ 400 durante o evento. E para aqueles que queiram viajar de lancha, o preço passa a custar R$ 900 a R$ 1.300 na época do festival, ida e volta, enquanto que, em dias comuns, os valores variam de R$ 250 a R$ 300.

Essa disparidade de preços tem gerado insatisfação entre os moradores de Parintins. Cris Flores, uma residente local, expressa sua frustração. “É um absurdo o quanto cobram pelas passagens durante o festival. Muitos de nós que temos família em outras cidades não conseguimos ir viajar porque os preços são simplesmente inacessíveis”, ressalta a moradora.

Para Renner Gomes, morador de Parintins há mais de 25 anos, as passagens deveriam ser mais acessíveis. “A circulação de público é grande, então deveria ser um valor mais acessível. Mas, quem quer prestigiar as apresentações dos seus bumbás de perto, é o jeito pagar pelo preço de duas viagens em tempos normais”, disse.

Renner Gomes e Cris Flores; aumento do preço do transporte fluvial tem impactado até mesmo na vida de moradores da cidade (Reprodução/Arquivo pessoal)

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Procedimentos

Nesta semana, quatro operadoras de transportes fluviais de Manaus foram notificadas pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-AM), por práticas abusivas na venda de passagens para Parintins. As empresas ficam localizadas no Porto da Manaus Moderna e Centro da cidade.

O Procon-AM informou que recebeu denúncias via rede social, que indicavam preços acima do normal, variando de R$ 500 para viagens de ida e volta de barco, e entre R$ 1.200 e R$ 1.400 para trajetos em lanchas rápidas.

Conforme resolução da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam), uma tabela de preços para os transportes fluviais foi estabelecida, com valores fixados em R$ 150 para as embarcações tipo ferry-boat, navio motor e barco motor, e R$ 350 para as embarcações do tipo lancha expresso.

Agentes do Procon na orla da Manaus Moderna, em fiscalização à venda de passagens (Divulgação/Procon

As operadoras de transportes fluviais têm o prazo de dez dias a contar da entrega da notificação para prestar esclarecimentos sobre o aumento abrupto das passagens, além de enviar os preços das passagens referentes aos últimos três meses dos percursos Manaus-Parintins e Parintins-Manaus.

Aeronave da Azul Linhas Aéreas; maioria dos voos a Parintins é da empresa de aviação (Divulgação/Azul)