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Sociedade Mundo pode ter 784 milhões de diabéticos até 2045, diz pesquisa

Doença silenciosa, o diabetes pode passar despercebido sem exames de rotina (Marcello Casal jr/Agência Brasil)
Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Especialistas da Federação Internacional de Diabetes (IDF, em inglês) divulgaram no sábado, 6, na 10ª edição do Atlas do Diabetes, que o número de adultos diagnosticados com a doença, em todo o mundo, pode chegar a 643 milhões em 2030 e a 784 milhões em 2045. Atualmente, segundo o levantamento, cerca de 537 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos de idade são diabéticos o que representa uma alta de 16% em dois anos.

De acordo com a pesquisa, a prevalência global do diabetes em adultos é de 10,5%, ou seja, uma a cada dez pessoas tem a doença. O estudo aponta também que 240 milhões de pessoas no mundo não sabem que têm a doença. Além disso, 81% de adultos com diabetes vivem em países de baixa e média renda e estima-se que a enfermidade é responsável por 6,7 milhões de mortes em 2021, um morre a cada cinco segundos.

Hanna Beatriz de Souza Carvalho é enfermeira estomaterapeuta e supervisora do Programa Pé Diabético da Segeam (Arquivo/Segeam)

“O diabetes é uma doença metabólica ocasionada por defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido pelo pâncreas, cuja função é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares. Como consequência, acontece uma elevação dos níveis de glicose no sangue (hiperglicemia)”, explicou a supervisora do Programa Pé Diabético da Associação Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas (Segeam), Hanna Beatriz de Souza Carvalho.

Segundo a especialista, o diabetes é também uma doença silenciosa, o que significa dizer que, geralmente, se não forem feitos exames médicos de rotina, a pessoa pode não ter consciência de que tem esta condição. “Embora essa doença tenha um forte componente genético e não possa ser totalmente evitada, o estilo de vida funciona como um gatilho para o seu desenvolvimento”, reforçou Hanna Carvalho.

Diabéticos

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de 2019, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 5,4% da população adulta no Amazonas são diabéticos, o equivalente a 144 mil pessoas. Em 2013, esse percentual era de 4,3%, ou seja, 1,1 ponto percentual abaixo da marca atual. Para especialistas do Amazonas, esse aumento no número de diabéticos é considerado preocupante, pois mostra que a prevenção não vem sendo feita da forma adequada.

“Ver todos esses dados aumentando e a população cada vez mais doente é muito preocupante, porque isso precisa ser mudado. O número de pessoas acima do peso no Brasil aumenta a cada ano, a cada década, e o número de diabéticos também. É papel do profissional de Educação Física prevenir e orientar a sociedade. Esses dados só vão se reduzir quando a sociedade fizer exercícios físicos e mudar os hábitos urgentemente”, alertou o especialista em emagrecimento e professor de Educação Física, Michael Saymon.

Michael Saymon é especialista em emagrecimento, personal trainer e professor de Educação Física (Arquivo Pessoal/Reprodução)

Para sensibilizar a população sobre os cuidados que devem ser tomados desde a primeira infância para prevenir o diabetes, que entra na lista das chamadas doenças crônicas, a Associação Segeam, responsável pelo programa Pé Diabético, que atende pessoas acometidas pela alteração, promove a campanha “Novembro Azul Diabetes”, em alusão ao dia 14 de novembro, data em que é celebrado o Dia Mundial do Diabetes.

A presidente da Segeam, Karina Barros, alerta que em Manaus a população não tem adotado hábitos saudáveis de vida, como ter uma alimentação adequada e uma prática regular de exercícios físicos, principalmente, em meio ao ritmo de vida corrido. Segundo ela, o mês de novembro surge para reforçar detalhes importantes de proteção ao diabetes e falar da importância em ter uma alimentação saudável.

Fases

Doença considerada “traiçoeira”, o diabetes tem dois tipos mais comuns: o tipo 1 e o tipo 2. De acordo com a enfermeira Hanna Carvalho, o primeiro é caracterizado pela baixa ou completa ausência da produção de insulina, e o tipo II, definida como a resistência a esse hormônio. A especialista também cita o diabetes gestacional, que surge durante a gravidez e tem característica semelhante com diabetes tipo II.

“Os principais sintomas do diabete são fome e sede excessiva, vontade de urinar várias vezes ao dia. Mas, é importante ressaltar que mais da metade dessas pessoas não apresentam sintomas típicos de diabetes. Outros sintomas como fraqueza, fadiga, mudanças de humor, náusea e vômito, e infecções fúngicas na pele e nas unhas; feridas, especialmente nos membros inferiores, que demoram a cicatrizar são comuns em pacientes diabéticos”, destacou.

Prevenção

A prevenção do diabetes, segundo especialistas, vai de consultar o médico, fazendo exames regulares de diagnóstico, bem como adotar um estilo de vida mais saudável, como comer diariamente verduras, legumes e frutas, reduzir o consumo de sal, açúcar, gorduras, parar de fumar, além da prática de exercícios físicos durante pelo menos 30 minutos por dia.

“O estilo de vida está totalmente atrelado à nossa saúde como um todo e ao desenvolvimento dessas doenças multifatoriais também. O diabetes, por exemplo, é uma doença que vem do estilo de vida, desses hábitos, dessa rotina de atividade física, alimentar, de sono, do estresse, entre outras questões. Os fatores hereditários, genéticos, trazem relação, mas não forte o suficiente para fazer uma pessoa ter diabetes ou pressão alta, por exemplo, segundo comprovam estudos”, salientou professor Michael Saymon.

Atividade regular ajuda os diabéticos a controlar o nível de açúcar no sangue (Shutterstock / Sport Life)

Para promover a saúde e o bem-estar, combatendo o risco de morte precoce por sedentarismo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que, em média, a população adulta pratique atividade física moderada por, pelo menos, 200 minutos por semana. Para crianças e adolescentes, o recomendado é uma média 60 minutos de atividade física aeróbica moderada por dia.

“Esse valor passou para 200 minutos, devido a tudo que passamos nos últimos dois anos [em meio à pandemia]. A recomendação anterior era de 150 minutos, mas isso foi aumentando porque a população está precisando cada vez mais. Os benefícios vão ser diversos, como hormonais, de estética, disposição no dia a dia, melhor funcionamento do cérebro, questões de circulação sanguínea, funcionamento dos órgão e inibição de doenças que vem da hereditariedade”, frisou Michael Saymon.

Ainda segundo o professor, pessoas portadoras de diabetes podem e devem praticar exercícios. “Se você for a uma consulta, o médico vai falar que você precisa de exercício físico, porque essa dificuldade com a insulina. A manipulação com a glicose pelo organismo é dificultada para quem tem diabetes e se você faz exercícios físicos, você tem uma maior produção e uma melhor utilização da glicose pelo organismo. Ou seja, isso faz com que os níveis de glicose sejam controlados e reduz o nível de açúcar, além de produzir melhor certos hormônios que vão ajudar nessa manutenção”, completa o educador.