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Meio Ambiente Na COP26, ativista amazonense denuncia intimidação do governo federal com jovens brasileiros

Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas acontece em Glasgow, na Escócia. (Reprodução/ Internet)

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), nesta última semana de tratativas e acordos, jovens ativistas denunciaram à CENARIUM a intimidação do governo federal no painel de debates do Brasil. Segundo a amazonense Celina Pinagé, a pressão direcionada pela comitiva do País aconteceu durante uma mesa-redonda sobre juventude e empoderamento, o qual esses jovens decidiram questionar a bancada sobre o motivo de estarem falando sobre o assunto e ao mesmo tempo estarem barrando a juventude brasileira.

De acordo com a ativista, existem dois painéis no pavilhão do Brasil, sendo um do governo federal e outro, o Brasil Hub, que é um painel colaborativo feito por organizações, instituições brasileiras e sociedade civil. “Nós estamos tendo um problema com o painel oficial do governo federal. Inclusive, na semana passada, estivemos no local para participar de uma mesa-redonda sobre juventude e, ao pedir um espaço de fala, nós fomos barrados. Eles encerraram a gravação da mesa e pediram para que a bancada se retirasse, sem espaço para que a gente questionasse nada naquele momento”, contou.

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Celina destacou ainda que depois de serem barrados, os jovens decidiram voltar ao espaço no outro dia para que eles pudessem ter um tempo de conseguir realizar a pergunta. “Assim que nós chegamos no espaço, eles prontamente colocaram sete seguranças atrás das nossas cadeiras para ficar vigiando caso a gente decidisse fazer alguma pergunta. Além disso, um colega nosso foi seguido por um desses seguranças durante um bom tempo, dentro da COP mesmo”, relatou Celina.

“É bem complicado, juventude brasileira vem para a COP e é tratada como criminosos. Está sendo bem complicado, não estamos tendo espaço de diálogo nesse painel do governo federal, então nós quase não estamos participando. A gente quase não aparece por lá por conta dessa intimidação e também pela limitação de fala nesse espaço. Nós estamos focados mesmo no Brasil Hub que é onde está tendo uma troca maior, onde nós mesmos estamos fazendo as mesas de debates”, destaca Celina.

Fake news

Em outro momento, Celina conta que além da intimidação de jovens brasileiros nesse espaço de tomadas de decisões, o governo federal está espalhando fake news sobre a Amazônia para instituições do exterior. “Esse problema também é um dos que nós estamos enfrentando. A maior parte das mesas que está tendo nesse espaço está sendo repassado informações falsas sobre a Amazônia, e isso está atrapalhando cada vez mais nas tratativas e nesses acordos que deveriam acontecer na COP”, afirmou.

Txai Suruí

No último dia 2, a líder indígena Txai Suruí, em declaração exclusiva, revelou a intimidação que sofreu pelo discurso feito na abertura da COP26. A ativista destaca que sofreu pressão para que não falasse sobre o extermínio de ativistas indígenas e o pedido de justiça social. Txai fez duras críticas ao descaso do governo federal em relação ao meio ambiente.

“Enquanto eu estava dando algumas entrevistas, chegou um representante do governo brasileiro meio que tentando me intimidar, pedindo para que eu não falasse tão mal do Brasil, porque eles estavam tentando fazer alguma coisa (traçar ações de preservação ambiental) e eu falei que a gente (representantes indígenas) também estávamos lá para fazer isso”, revelou Txai sem identificar o autor da ameaça.

Líder indígena, Txai Suruí em discurso na COP26 (Reprodução/Internet)