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Diversidade Organização do Festival Afroamazônico de Yemanjá e Réveillon da Diversidade faz ajustes para a 11ª edição dos eventos

Celebração do Festival Afroamazônico de Yemanjá em anos anteriores. (Arquivo/Associação Cultural Toy Badé)

Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Em Manaus, segundo registros históricos, a prática de levar oferendas às águas, na virada do ano, ocorre há mais de seis décadas. Devido à pandemia, o ato, que expressa a fé e os anseios por boas energias na virada do ano, não pôde ser realizado em 2020. Neste ano, porém, a realização do 11º Festival Afroamazônico de Yemanjá – Réveillon da Diversidade está confirmada pelos organizadores do evento.

O 11º Festival Afroamazônico de Yemanjá, que também será o Réveillon da Diversidade, voltado, principalmente, ao público LGBTQIA+, inicia às 16h do dia 29 de dezembro e vai até a manhã do dia 1º de janeiro, na Praia da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus. De acordo com o coordenador-geral da Associação de Desenvolvimento Sociocultural Toy Badé / Aratrama,  Xɛ́byosɔnɔ̀n Alberto Jorge Silva, faltam apenas alguns ajustes na estrutura do evento.

“Nos reunimos para estabelecermos parceria entre Associação Cultural Toy Badé, Prefeitura Municipal de Manaus e Governo do Estado do Amazonas, que possibilitarão a realização do evento cultural religioso. Por conta da pandemia, ano passado, o evento foi via internet. Vale ressaltar que seguiremos à risca todas as orientações de segurança estabelecidas pelos órgãos de saúde. Este é um ponto que levamos muito a sério”, diz Alberto Jorge.

A primeira edição do evento acolhendo a diversidade foi em 2019. (Reprodução/ Divulgação)

Regras e Monitoramento

Organizador de todas as edições do evento, Alberto Jorge, que também é dedicado a produções culturais, revela que, por conta da preocupação com a atual situação sanitária, a equipe organizadora procurou o cientista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, para pedir informações mais detalhadas quanto à forma mais segura de realizar o evento.

“A cultura religiosa, a ancestralidade, a manifestação da fé, são importantes e necessárias para a saúde mental da população. Sentir-se perto de Deus e da natureza ajuda nos processos de cura, de recuperação do corpo e da alma, mas não faremos nada ao arrepio”, ressalta.

Incentivo

Segundo o organizador do festival, há ainda a possibilidade de o evento ser utilizado como ferramenta de incentivo para a vacinação. Com uma grande quantidade de pessoas circulando no evento, a tentativa é ter um ponto de vacinação, pelo menos nos dois primeiros dias da programação.

“Pensamos que, tendo cerca de um mês (para o evento), possamos incentivar esse público dentro da pegada de festival, para que ele não fique no conceito clássico de pão e circo. Até porque nós, povo de terreiro, acima de tudo, temos uma preocupação muito grande com a saúde coletiva e, assim, cumprimos com o nosso papel social. Vamos conversar com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) para ver essa possibilidade”, considera.

Pluralidade

Pai Alberto Jorge relembra que a ideia de Yemanjá abraçar a inclusão e a diversidade é o ponto central do evento. Os organizadores perceberam que há diversas atividades na cidade, mas nenhum evento, neste período, que esteja disposto a abraçar a diversidade.

“A decisão do colegiado, pela realização do Réveillon da Diversidade, em conjunto com o Festival de Yemanjá, se deu em 2019 quando nós levamos, no primeiro dia de evento, mais de 16 mil jovens, principalmente, LGBTs, e, na última noite, circularam no festival cerca de 35 mil pessoas. Foi um momento muito bonito onde a interação e o respeito prevaleceram. Ainda temos alguns ajustes técnicos a fazer e, até lá, divulgaremos os detalhes”, finaliza.