Policiais e advogados são alvos de operação por facilitar entrada de celulares em presídios de MT

Maior presídio do Estado de Mato Grosso (Reprodução/Governo de MT)

07 de junho de 2024

21:06

Davi Vittorazzi — Da Revista Cenarium

CUIABÁ (MT) — Dezenove pessoas, incluindo policiais penais e advogados, foram alvos de 43 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres. O grupo é investigado por facilitar a entrada de celulares em unidades prisionais do Estado. A Operação Caixa de Pandora foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), na quinta-feira, 6.

A investigação do Gaeco aponta que os envolvidos no esquema articulavam a entrada de celulares e acessórios nos presídios da capital e do interior, que eram usados pelos presos, e em troca recebiam vantagem econômica. Com os aparelhos, os detentos continuavam a mandar e aplicar crimes mesmo estando presos. Dos alvos são 15 policiais penais e são quatro advogados. Outro alvo da operação foi o ex-diretor da Penitenciária Central do Estado (PCE), a maior do Estado.

As ordens judiciais foram expedidas pelo juiz João Bosco Soares da Silva, do Núcleo de Inquéritos Policiais. O Gaeco é uma força-tarefa permanente constituída pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Polícia Judiciária Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo.

PCE é o maior presídio de Mato Grosso (Reprodução)

Em alguns casos, os próprios advogados entravam com os aparelhos e entregavam aos presos durante visitas no parlatório, conforme a investigação. Os profissionais envolvidos nas práticas suspeitas tiveram o direito de exercício profissional suspendidos por decisão judicial.

Conforme o Gaeco, as investigações que resultaram na operação começaram em 2019, após um freezer novo, que tinha sinais de violação, deu entrada na PCE. Nele foram encontrados diversos aparelhos de celulares, que seriam destinados aos presos.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT) disse, por nota, apenas os aparelhos como celulares e computadores dos policiais penais envolvidos foram alvos da operação. A pasta informou que aguarda informações do Gaeco para tomar medidas administrativas.

Em relação aos advogados, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) informou, também por nota, que não há como os profissionais entregarem celulares durantes as visitas, exercendo a função de advogados, por não haver contato entre eles e os presos, já que seriam separados por um vidro.

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Editado por Adrisa De Góes
Revisado por Gustavo Gilona