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Sociedade ‘Precisamos monetizar a riqueza que a floresta gera em pé’, afirma Marcelo Ramos em entrevista ao ‘Roda Viva’

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), falou sobre a importância de monetizar a Floresta Amazônica enquanto ela está de pé. (Arte: Catarine Hak)
Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), foi o entrevistado dessa segunda-feira, 8, do programa “Roda Viva”, da TV Cultura Brasil. Entre os temas debatidos estava a votação da PEC dos Precatórios na Câmara, a possível filiação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao PL  — ao qual Ramos é filiado — e o Projeto de Lei (PL) 528/2021, que regula o mercado de crédito de carbono visando à preservação e desenvolvimento da economia da Floresta Amazônica.

“Nós precisamos desburocratizar os processos das áreas de reserva, os processos de manejo florestal, mas, por outro lado, precisamos monetizar a riqueza que a floresta gera em pé até para combater a falsa contradição muito utilizada por esse governo [federal] de que a floresta só pode gerar riqueza e combater a pobreza de populações tradicionais na Amazônia se for derrubada para virar plantação ou pasto”, pontuou o deputado.

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O crédito de carbono é um certificado que atesta e reconhece a redução de emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE), responsáveis pelo aquecimento global. Pelo projeto, um crédito de carbono equivalerá a uma tonelada desses gases que deixarem de ser lançados na atmosfera.

Quanto à efetividade do PL, Ramos explicou que o PL, como mecanismo de reversão, irá estabelecer que um percentual da venda do crédito de carbono seja revertido para populações tradicionais, como indígenas e ribeirinhos. “São coisas paralelas que vão gerar mais riqueza para essas reservas que estão na Amazônia”, disse ainda.

Na bancada dos entrevistadores estavam a diretora-executiva da CENARIUM, jornalista Paula Litaiff, o analista de política do jornal CNN Brasil, Caio Junqueira, o repórter de política do jornal Correio Braziliense, Jorge Vasconcellos, a diretora do Tag Report, Lydia Medeiros, e a diretora de redação do jornal Metrópoles, Lilian Tahan.

CPI da Covid

Ramos também falou sobre a CPI da Covid – recentemente encerrada no Senado Federal – e, principalmente, sobre o dossiê apresentado pelo jurista Miguel Reale Jr. que indicava que Manaus, capital do Amazonas, foi usada como cobaia pelo governo na disseminação do “Kit Covid”, de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19.

“Ele (Bolsonaro) tem parcela de responsabilidade e todos aqueles que embarcaram nos discursos negacionistas, e no discurso dos medicamentos ineficazes, tem corresponsabilidade com ele”, afirmou.

Quanto à denúncia de Bolsonaro ao Tribunal Penal Internacional (TIH) em Haia, na Holanda, Ramos acredita que deve ser acolhido pela Corte Internacional, mesmo sem conhecer, analiticamente, as provas apresentadas, e que foi muito grave a conduta dele ([Bolsonaro] durante esse período de pandemia”.

“Se ele [Bolsonaro] não negasse a gravidade da doença, não estimulasse o não uso de máscara, se ele tivesse comprado a vacina com mais celeridade, se estimulasse as pessoas a se vacinarem, muitos brasileiros e brasileiras teriam se salvado e muitas famílias não estariam de luto hoje”, finalizou.

Saída do PL

O deputado federal do Amazonas ainda anunciou no “Roda Viva” a saída do PL, após a sigla confirmar a filiação do presidente da República visando às eleições 2022. O vice-presidente da Câmara disse que não pretende estar no mesmo palanque político que o mandatário do Brasil.

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“Eu não estarei no palanque com ele. Mesmo que ele não se filiasse no PL, mas se o PL apoiasse ele, eu não estaria no palanque dele, estaria em outro”, afirmou Marcelo Ramos ao programa, que foi ao ar às 22h (horário de Brasília) na TV Cultura, no site da emissora, no canal do YouTube e nas redes sociais Twitter e Facebook.

Segundo o deputado, o projeto dele para as eleições 2022 é tentar a reeleição a uma das oito cadeiras destinadas ao Amazonas na Câmara dos Deputados.

Assista ao programa na íntegra: