Quem foi Maria da Conceição Tavares, referência no debate econômico do Brasil

Maria da Conceição Tavares (Divulgação/Acervo Unicamp)

08 de junho de 2024

16:06

Marcela Leiros – Da Agência Cenarium*

MANAUS (AM) – Morreu neste sábado, 8, aos 94 anos, a economista Maria da Conceição Tavares, nascida em Portugal, mas que naturalizou-se brasileira e tornou-se referência no pensamento desenvolvimentista e na defesa do crescimento econômico com distribuição de renda.

A morte ocorreu em Nova Friburgo, município do Rio de Janeiro. Ela deixa dois filhos, Laura e Bruno, dois netos, Ivan e Leon, e o bisneto Théo. A família não divulgou a causa da morte.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sobre a partida de Maria da Conceição Tavares, lembrando da convivência dos dois. O chefe do Executivo nacional enfatizou que a economista adotou o Brasil e o povo brasileiro de coração e paixão pelo debate público e pelas causas populares, além de ter formado gerações de economistas.

Tive o prazer e a honra de conviver e conversar muito com minha amiga ao longo dos anos, debatendo o Brasil e os nossos desafios sociais e econômicos no Instituto Cidadania, em conversas no Rio de Janeiro ou em viagens pelo Brasil“, afirmou na rede social X.

Trajetória

Maria da Conceição Tavares nasceu em Anadia, região Centro-Norte de Portugal, em 1930. Ao longo da infância, viveu os ecos da Guerra Civil Espanhola. Estudou e formou-se em Matemática. Em fevereiro de 1954, veio para o Brasil para fugir da ditadura de António de Oliveira Salazar junto ao marido e grávida da primeira filha. A identificação com o País foi instantânea.

Veja fotos de Maria da Conceição Tavares:

No Brasil, estudou Economia Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde graduou-se com a honraria summa cum laude. Foi a primeira professora de Economia da instituição e a primeira pesquisadora latino-americana na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe.

Também fundou e conduziu os principais programas de pós-graduação em economia no Brasil, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na UFRJ. Elaborou ainda programas de política econômica de âmbito nacional, tendo sido referência nos debates nacionais, e participou ativamente na construção do espaço das mulheres na política após a redemocratização, tendo passado por importantes partidos políticos.

Tavares também foi deputada federal filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) por um mandato, entre 1995 e 1999, e escreveu diversos livros sobre desenvolvimento econômico.

A economista foi uma das brasileiras mais notórias na contribuição às ciências e à política. Além de destacar-se pela formação de gerações de economistas, já que foi professora universitária, ela escancarou ambientes herméticos às mulheres. Também defendeu uma política externa independente; da erradicação das desigualdades sociais; e de uma sociedade brasileira mais justa e igualitária.

Tavares também influenciou uma série de nomes da área, e voltou a se popularizar após trechos de aulas e uma entrevista ao Programa Roda Viva viralizar nas redes sociais, onde ela defendia: “Se você não se preocupa com justiça social, com quem paga a conta, você não é um economista sério. Você é um tecnocrata”.

(*) Com informações do Instituto Humanitas Unisinos