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Poder Conhecido pelo escândalo dos ‘fura-filas’, prefeito de Manaus usa relógio suíço de R$ 132 mil

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), exibe um relógio da marca Hublot (Reprodução/Instagram)

Paula Litaiff – Da Revista Cenarium*

MANAUS – O prefeito de Manaus, David Almeida – conhecido nacionalmente pelo escândalo dos fura-filas na capital amazonense – tem sido visto, nas últimas duas semanas, usando um relógio da marca suíça Hublot. O acessório custa, no mínimo, € 20 mil (euros), na conversão para o real fica a R$ 132 mil, segundo a atual cotação de R$ 6,60. Há dez meses no cargo, ele recebe um salário mensal de 18 mil, bruto.

A pauta sobre o assunto foi, primeiramente, levantada pelo Portal Alex Braga. A reportagem da REVISTA CENARIUM ouviu assessores e aliados políticos do prefeito, que confirmaram o uso cotidiano do relógio em visitas a obras e coletivas de imprensa em Manaus. Procurado, Almeida não se pronunciou sobre a matéria.

O relógio do prefeito de Manaus virou assunto no meio político do Amazonas por conta do atual momento econômico em que vive o País, em meio a uma recessão econômica e o retorno da inflação, comprometendo, principalmente, a segurança alimentar dos brasileiros e fazendo surgir o “mercado negro da fome”. No Estado amazonense, pés de galinhas passaram a ser presentes nas mesas dos manauenses.

Débora Santana, de 42 anos, mostra o almoço do dia em Manaus (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Um levantamento feito pela REVISTA CENARIUM, nesta sexta-feira, 22, localizou, nas redes sociais, fotos do prefeito de Manaus utilizando o relógio e uma pesquisa aprofundada identificou que o modelo Hublot King Power Foudroyante, constantemente usado por ele, é vendido, em sites especializados internacionais, por R$ 132 mil reais.

No site internacional Chrono 24, o relógio custa R$ 132 mil. (Reprodução/Chrono 24)

A reportagem tentou contato com o prefeito por meio da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), mas não obteve retorno, conforme perguntas descritas abaixo:

E-mail enviado à Semcom (Reprodução)

A REVISTA CENARIUM resguarda para si o sigilo de fonte das informações passadas sobre o acessório usado pelo prefeito de Manaus, conforme previsto no Inciso XIV do artigo 5º da Constituição Federal.

A Constituição assegura o direito de informar, de se informar e de ser informado, permitindo o livre acesso à informação e a dados públicos e privados que são de relevância popular, resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.

Leia também: Caso ‘fura-filas’: prefeito de Manaus e secretária de Saúde serão julgados pelo TJAM

Peculato e fraude

David Almeida ficou conhecido na mídia nacional pelo “escândalo dos fura-filas”, quando as gêmeas Gabrielle e Isabelle Kirk Maddy Lins – na época, recém-contratadas pela Prefeitura de Manaus – tomaram a primeira dose da vacina contra a Covid-19 no lugar de funcionários da Saúde que atuavam na linha de frente do combate à Covid-19.

Com essa exposição, veio à tona que “apadrinhados” políticos e fornecedores da Prefeitura de Manaus, também, receberam a imunização antes dos profissionais de Saúde. O caso levou o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) a pedir a prisão de David Almeida pelos crimes de peculato e falsidade ideológica em fevereiro deste ano. Até hoje, o pedido não foi jugado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

Leia também: Há mais de sete meses, TJAM analisa pedido de prisão do prefeito de Manaus por peculato

Federais investigam

A gestão do prefeito, também, é alvo de investigação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) por suspeita de manipulação na entrega de apartamentos populares construídos com verba do governo federal, o Residencial Manauara 2, localizado na zona Norte da cidade.

Destinado a famílias em vulnerabilidade, unidades do residencial foram parar nas mãos de parentes, por afinidade, do prefeito de Manaus e assessores diretos de David Almeida. O assunto virou pauta jornalística da TV Cultura Brasil e, depois, do Jornal Nacional. Após o escândalo, Almeida disse ter exonerado quem “causou o problema”.

(*) Colaborou Luís Henrique Oliveira