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Via Brasília Em 2021, boiada seguiu passando: sob Bolsonaro, Amazônia perdeu dez vezes área do Rio de Janeiro

Comparando a média do desmatamento acumulado dos três anos do governo atual com os três anos anteriores, o salto foi de 79%. (Paulo Wuitaker/Reuters)

Recorde sucessivos

Os anúncios de recordes de desmatamento na Amazônia, divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), parecem ter se normalizado no ano que passou, repetindo uma tendência de alta por quatro anos consecutivos, fato inédito desde 1988, o início das medições. Foram 13.235 km2 de degradação na maior floresta tropical, o equivalente a dez vezes a área da cidade do Rio de Janeiro. Comparando a média do desmatamento acumulado dos três anos do governo atual com os três anos anteriores – 2016 a 2018, o salto foi de 79%.

Destruição da biodiversidade

Os números de desmatamento demonstram que o presidente Jair Bolsonaro segue tendo sucesso em seu projeto de destruição da biodiversidade amazônica sem ser incomodado pelos órgãos de conservação.  Bolsonaro atuou ativamente pelo sucateamento do Ibama e Instituto Chico Mendes, e pelo desmantelamento de políticas de salvaguarda e de organismos da sociedade civil.  

Áreas sem proteção

Nem mesmo as áreas protegidas ficaram a salvo da sanha devastadora do governo federal. De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA) foram verificadas perdas florestais severas ao longo dos últimos três anos em Terras Indígenas e Unidades de Conservação, que representaram 16,7% do desmatamento total na Amazônia Legal. Estas áreas também seguem alvo de forte pressão de outros tipos de degradação, como a exploração ilegal de madeira, garimpo, incêndios criminosos e grilagem — crimes facilitados por cadastros irregulares no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Somente nas Terras Indígenas, o desmatamento cresceu 138%, afetando povos tradicionais, que sofrem com a violência de grupos criminosos.

APA do Xingu

Campeã do desmatamento na Amazônia, a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo Xingu (PA) é a área protegida mais desmatada da Amazônia, com mais de 53 mil hectares desmatados em 2021, de acordo com o Prodes. De acordo com o Sistema de Indicação por Radar de Desmatamento (Sirad X), da Rede Xingu+, a APA já teve quase 40% da sua área florestal convertida para outros usos. Com isso, UCs  como a APA do Xingu vêm perdendo a capacidade de agir como barreira contra invasões e a especulação imobiliária.

AM no arco do desmatamento

 Dados do Inpe também mostram como a destruição da Amazônia nos últimos cinco anos cresce a partir do Sul do Amazonas. Antes um dos mais preservados, o Estado superou líderes históricos em desmatamento e se tornou o segundo que mais desmatou em 2021. O descontrole do uso do território fez explodir a grilagem e outros crimes vinculados à expansão desenfreada da agropecuária especialmente em uma região da floresta onde os Estados do Amazonas, Acre e Rondônia se encontram, batizada de Amacro.  

Sem Fundo Amazônia

A saída de comandante da boiada, o ex-ministro Ricardo Salles, do Ministério do Meio Ambiente não se traduziu no fim dos ataques à floresta. Com a base aliada do governo empoderada no Congresso Nacional, foram flexibilizados decretos, leis e normas, com destaque para a Lei Geral do Licenciamento ambiental, a maior boiada de 2021. O enfraquecimento da governança iniciou com a suspensão do Fundo Amazônia, que tinha um papel de apoiar a conservação desses espaços. Bolsonaro ‘rasgou’ bilhões em recursos e não criou nenhuma outra política de financiamento.