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+Ciência Estudo aponta que uma a cada três crianças sofre de anemia no Brasil

Especialistas apontam que é preciso ter uma alimentação rica em vitaminas para evitar a enfermidade (Arquivo/Agência Brasil)
Bruno Pacheco – Da Cenarium

MANAUS – Um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no Estado de São Paulo, divulgado neste segundo semestre no ano, mostrou que de cada três crianças, uma apresenta um quadro chamado anemia ferropriva, no Brasil. Especialistas apontam que a doença costuma ser mais comum no público infantil e é preciso ter uma alimentação rica em vitaminas para evitar a enfermidade.

O levantamento foi liderado pelo pesquisador Carlos Alberto Nogueira de Almeida e publicado no periódico científico Public Health Nutrition, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. A iniciativa buscou estimar a prevalência de anemia em crianças brasileiras de até 83,9 meses. Os especialistas analisaram 134 estudos feitos entre 2007 e 2020 sobre a saúde de 46.978 meninos e meninas menores de 7 anos de idade do Brasil

A ausência de ferro, mineral encontrado em maior quantidade no baço e no fígado, é o principal fator influente para a chamada anemia ferropriva (Reprodução/Assessoria)

Segundo a pesquisa, o principal desfecho foi a prevalência combinada de anemia (33%) e análises de sensibilidade mostraram que a retirada dos estudos que contribuíram para a alta heterogeneidade não influenciou a prevalência média nacional. Para os especialistas, mais políticas públicas são necessárias no Brasil para promover a suplementação, fortificação e acesso à alimentação saudável com o objetivo de reduzir o alto índice de anemia infantil.

“A anemia infantil ainda é um grave problema de saúde pública no Brasil, expondo 33% das crianças brasileiras às repercussões da anemia. A principal limitação do estudo é a estimativa da prevalência nacional com base em inquéritos locais, mas foi incluído um grande número de estudos, com representatividade em todas as regiões do País, o que dá força aos resultados”, diz trecho do estudo.

Queda

Apesar da taxa de crianças com anemia apresentar uma queda de 20% em relação aos dados apresentados na última pesquisa sobre o caso, especialistas alertam que os números atuais ainda são considerados elevados. Segundo o estudo anterior ao da UFSCar, feito em 2008 na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 53% das crianças brasileiras tinham a doença.

Por conta da pesquisa levar em conta dados antes da instalação da pandemia da Covid-19, que impactou no aumento de preços de alimentos como a carne, por exemplo, que é o principal alimento que contribui para que a criança não tenha anemia após o período de amamentação, estima-se que o número de crianças com anemia possa ser muito maior.

Especialistas recomendam alimentação seja rica em ferro, vitamina B12 e ácido fólico, além de frutas ricas em vitamina C (Reprodução/Internet)

A doença

De acordo com o médico-infectologista de Manaus Nelson Barbosa, a anemia é uma deficiência de hemácia (glóbulos vermelhos) e da hemoglobina do sangue. Existem diferentes tipos da doença, sendo a mais comum a anemia ferropriva, que ocorre por deficiência de ferro no organismo. As outras são a anemia megaloblastica, que ocorre pela deficiência da Vitamina B12; a anemia perniciosa; anemia hemolítica; e anemia falciforme.

“A doença é mais comum em crianças porque se elas não possuírem os nutrientes necessários, incluindo uma grande reserva de ferro, elas vão desenvolver anemia. Isso ocorre por conta do período de crescimento da criança, numa curva ascendente e acelerada em relação ao seu peso e a sua altura. Por isso, elas precisam de todas essas reservas, incluindo ferro e cálcio”, destacou.

Recomendação

Para evitar que crianças ou adultos desenvolvam anemia, o recomendado é que a alimentação seja rica em ferro, vitamina B12 e ácido fólico, além de frutas ricas em vitamina C. Para especialistas, são necessários também outros cuidados com o alimento para que a absorção seja eficiente.

“Não basta comer alimentos ricos em ferro, é preciso ter alguns cuidados com a alimentação para que a absorção seja eficiente. Por exemplo, ofereça alimentos fonte de vitamina C, como acerola, caju, laranja, goiaba, limão, que devem ser comidos perto ou junto principais refeições, pois eles auxiliam na absorção de ferro”, apontou o médico infectologista Nelson Barbosa.

Segundo ele, é necessário ainda evitar oferecer leite e derivados do leite às crianças perto das refeições. “Tanto o leite materno quanto a fórmula infantil devem ser evitados em horários próximos às principais refeições, pois o cálcio atrapalha a absorção do ferro, contribuindo assim que as crianças desenvolvam a anemia ferropriva”, concluiu.

Modelos de efeitos aleatórios baseados no método de variância inversa foram usados ​​para estimar as medidas de prevalência combinadas. As análises de sensibilidade removeram estudos com grande contribuição para a heterogeneidade geral”, diz trecho do estudo.