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Turismo Potencial amazônico pode reaquecer ‘turismo de compras’ em Manaus

O PL quer propor a volta da fase de turismo de compras, vivenciada durante as décadas de 1970 e 1980 (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Cassandra Castro – Da Cenarium

BRASÍLIA – Para incentivar o turismo de compras em Manaus, um Projeto de Lei (PL) aprovado nesta quarta-feira, 22, pela Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e a Amazônia (Cindra), na Câmara dos Deputados, prevê a suspensão da cobrança de tributos, como PIS e Cofins, nos produtos importados por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM), quando destinados, exclusivamente, ao comércio local.

Para o autor do PL 298/20, deputado Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM), a proposta vai garantir isonomia entre o tratamento tributário dado à remessa de mercadorias nacionais para a ZFM e à importação de mercadorias estrangeiras para a região e tornar o comércio local mais atrativo. Mas a ideia de incentivar o turismo de compras na região com o projeto de lei pode não ter o efeito desejado pelo parlamentar.

Contexto histórico

Na visão do professor de História Cleomar Cardoso Lima, fazer com que Manaus volte a viver a fase de turismo de compras, vivenciada durante as décadas de 1970 e 1980, no auge do modelo Zona Franca de Manaus, é algo muito distante por conta de uma série de fatores. Cleomar afirma que naquele tempo havia um outro contexto mundial e nacional no comércio.

“Durante o governo militar, foi criado um projeto onde o único lugar no qual a economia ocorreria com incentivos fiscais seria no modelo Zona Franca de Manaus. Era uma época em que os mercados mundiais eram fechados e para aquela realidade econômica a proposta deu certo”, explica o professor.

Loja de eletrônicos no Centro de Manaus, durante o auge da “Zona Livre de Impostos” (Reprodução/Internet)

O historiador também conta que o então prefeito de Manaus Jorge Teixeira criou uma espécie de shopping aberto formado pelas ruas Guilherme Moreira, Doutor Moreira e Marechal Deodoro, localizadas no Centro da cidade. “Realmente era vantagem vir comprar videocassete, filmadoras, eletroeletrônicos em geral porque aqui era muito mais barato, mais em conta”, relembra.

A economista Denise Kassama afirma que toda proposta de redução tributária não deixa de ser um alento para a economia e gera expectativa positiva de retomada de crescimento, mas reforça o posicionamento do historiador sobre reserva de mercado. “Hoje, em plena era da comunicação e impulsionado pela pandemia, o e-commerce cresceu exponencialmente em todo mundo, de modo que qualquer um pode comprar qualquer coisa de qualquer lugar do mundo e receber em casa”, comenta a especialista.

Linha de montagem de eletrônicos localizada em Manaus (Reprodução/Internet)

Turismo de compras

Na visão do professor Cleomar e da economista Denise, o apelo turístico, das riquezas e da biodiversidade do Amazonas deveriam ser o carro-chefe para impulsionar a economia, inclusive do próprio Polo Industrial de Manaus (PIM). “O Amazonas tem atrativos turísticos bem mais interessantes que o comércio, capazes de atrair públicos de todas as partes do mundo, além de mobilizar uma imensa rede de fornecedores regionais”, argumenta Denise.

Porém, Kassama chama a atenção para algumas questões que precisam ser superadas, como o valor das passagens aéreas para o Estado. Situação ainda mais agravada devido à pandemia que obrigou as empresas a reduzirem algumas rotas; Infraestrutura da capital amazonense que ainda carece de placas indicativas, acessos, investimentos em mobilidade urbana e melhoria nos serviços de atendimento ao turista.

O professor Cleomar Lima relembra a visibilidade que Manaus ganhou em 2014 com a Copa do Mundo e em 2016 com a Olimpíada, que fez com que a cidade recebesse pessoas de vários países e receber elogios pela acolhida e hospitalidade. “A gente tinha que ir além, fazer mais, capacitar o nosso povo e investir no talento natural para o turismo que nosso Estado tem”, concluiu Lima.