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Economia No interior do Amazonas, café movimenta empreendedorismo sustentável

Floresta é aliada na produção do café em Apuí (Arquivo IDESAM/Café Apuí Agroflorestal)
Cassandra Castro – Da Cenarium

BRASÍLIA – Produtores rurais de Apuí, no interior do Amazonas, usam a floresta como aliada e conseguem incrementar produção de café no município. O “case” de sucesso é resultado de um trabalho realizado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas – Idesam, uma organização não governamental sem fins lucrativos que atua desde 2005 em atividades que ajudam a valorizar o uso sustentável dos recursos naturais na Amazônia.

Com 52 hectares de café plantado e beneficiando direta e indiretamente mais de 60 famílias, o projeto Café Apuí é uma experiência bem-sucedida do chamado sistema agroflorestal de cultivo. Antes da chegada do projeto, a realidade da produção era bem diferente. Os agricultores plantavam o café da forma tradicional e depois de um tempo, desistiam do cultivo, porque a plantação não evoluía e o valor pago pelo que conseguiam colher não era satisfatório.

Trabalho realizado pelo instituto beneficia várias famílias em Apuí (Arquivo IDESAM/Café Apuí Agroflorestal)

As novas práticas de plantio revelaram que a natureza poderia ser uma aliada e tanto no cultivo do café, como explica o diretor e administrador da empresa Amazônia Agroflorestal, Jonatas Machado Ibernon. “Nós observamos que algumas espécies nativas, que crescem muito rápido, como a Imbaúba, faziam sombra nos cafezais. Isso acabou criando um microclima e o café se mostrou como de excelente qualidade. Agora os produtores plantam o café consorciado com árvores da região e elas ajudam tanto no desenvolvimento do café quanto no processo de reflorestamento e regeneração da floresta”, explica o empreendedor.

Os reflexos da nova forma de cultivo foram um aumento na produtividade por hectare de 66%. De acordo com Jonatas Machado, a renda anual do produtor também cresceu em 300%, porque ele produz mais e recebe mais. O incentivo também vem pelo valor pago ao agricultor, algo em torno de 46% a 50% a mais do que o pago pelo mercado de comodities, sem contar que o Café Apuí é um produto orgânico e agroflorestal.

Produto de qualidade

A gestora de projetos do Idesam, Elen Blanco, avalia o trabalho realizado em Apuí como estratégico na mudança de visão relacionada à produção rural. O projeto conseguiu trocar a monocultura, muito usada nos Estados do sul e sudeste pela prática da agricultura regenerativa que possui o trunfo de ajudar na manutenção da floresta e beneficiar as plantações.

A pesquisadora também destaca outro ponto em relação ao que acontece no município. “O município de Apuí está localizado no Arco do Desmatamento e promovendo a regeneração do ecossistema. A gente passa a transformar a atividade agrícola em parte da solução para o problema do desmatamento”.

O café que sai de Apuí tem certificação orgânica, o que aumenta o valor agregado do produto. Elen Blanco explica que era necessário também pensar na questão do mercado e garantir a comercialização do café. Foi aí que surgiu a spin off Amazônia Agroflorestal, empresa que cuida dessa fase da cadeia produtiva do café.

O Café Apuí já chega em polos consumidores de produtos orgânicos e sustentáveis como São Paulo. A produção do município também é comercializada em grandes escalas para parceiros como supermercados e também atende ao consumidor final via e-commerce. Saiba mais aqui.