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Cultura HQ do Amazonas que conta luta do líder indígena Ajuricaba é finalista ao Prêmio Jabuti

Parte da capa da História em Quadrinhos (HQ) Ajuricaba, o líder indígena dos Manaós, a maior nação guerreira da região do Rio Negro. (Arte: Ana Valente)
Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – A História em Quadrinhos (HQ) do líder indígena dos Manaós que liderou a resistência contra portugueses que tomavam indígenas como escravos no século XVIII é uma das finalistas ao 63º Prêmio Jabuti, referência entre os prêmios literários do País. A obra “Ajuricaba”, do jornalista Ademar Vieira e do ilustrador Jucylande Júnior, leva o nome do guerreiro que se negou a ser escravizado e tornou-se símbolo de resistência e liberdade.

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou os finalistas da primeira fase de concorrência ao prêmio nessa terça-feira, 9. Foram 3.422 inscritos, sendo selecionados, até o momento, 10 em cada categoria. Na próxima terça-feira, 16, serão anunciados os cinco finalistas e no dia 25 de novembro uma cerimônia virtual anunciará o grande vencedor.

A obra foi lançada em dezembro de 2020 e demorou dois anos entre pesquisa até a impressão. Para Vieira, a indicação ao prêmio é mais que um conquista pessoal, já que também é uma oportunidade de promover mais ainda a história de Ajuricaba, cujo nome da aldeia que liderava foi usado como inspiração para nomear a capital do Amazonas.

“Essa indicação vai além de uma conquista pessoal, porque Ajuricaba é um ícone da cidade Manaus e acredito que compartilho a alegria com todos os Manauaras. Eu vejo isso como o reconhecimento da importância dessa personalidade histórica que é o Ajuricaba e que o público do Brasil ainda não conhece. Espero que, com essa exposição, as pessoas fiquem curiosas sobre a nossa história e fiquem sensíveis à luta de Ajuricaba e dos povos indígenas do Brasil”, conta Vieira à CENARIUM.

O jornalista Ademar Vieira. (Reprodução/ Arquivo Pessoal)

O quadrinista Jucylande Júnior também destaca, com felicidade, a importância da indicação e de como pode transformar o olhar das pessoas para a história de Manaus. “É uma satisfação muito grande até porque está divulgando nossa cultura, a cultura amazonense. O Prêmio Jabuti é o Oscar da literatura brasileira. Quem ganha com isso não somos nós, é o povo amazonense”, destaca ainda.

O ilustrador e quadrinista Jucylande Júnior. (Reprodução/Arquivo Pessoal)

A graphic novel reconstitui a saga de Ajuricaba pouco antes de ele se tornar tuxaua (líder) dos Manaós, a maior nação guerreira da região do rio Negro e que dominava outras. A princípio, a tribo era aliada dos portugueses, que faziam trocas para conseguir escravos indígenas que eram levados para o trabalho no engenho de cana-de-açúcar no Pará e Maranhão, mas, após o assassinato do pai de Ajuricaba, ele assume o comando dos indígenas e inicia uma longa campanha de guerra ao colonialismo português, que dura cinco anos e mobiliza mais 30 nações de povos originários.

“A ideia surgiu depois que eu li um livro do Márcio Souza, que tinha um capítulo sobre Ajuricaba. Até então eu não conhecia muito bem a história dele e fiquei ainda mais fascinado por essa personalidade histórica. Com base nas informações que coletei sobre o líder dos Manaós, propus o projeto à Manauscult e chamei o Jucylande, que na época queria fazer alguma HQ comigo”, explicou ainda Vieira.

Além de ser roteirizada por Vieira, que também é roteirista e ilustrador, e Júnior, a obra tem arte-final do ilustrador Tieê Santos e capa de Ana Valente, todos artistas manauaras. Interessados em obter um exemplar da obra podem enviar mensagem no perfil do Instagram do Black Eye Estúdio (@blackeyeestudio) ou acessarem o site da Ugra Press (@ugra_press).

A Capa da HQ “Ajuricaba”. (Reprodução/ Internet)

Prêmio Jabuti

A história do Prêmio Jabuti começou por volta de 1958 e as discussões para a criação da premiação foram comandadas pelo então presidente da entidade, Edgar Cavalheiro, e pelo secretário Mário da Silva Brito, além de outros integrantes da diretoria do biênio 1955-1957 interessados em premiar autores, ilustradores, livreiros, editoras e gráficas que se destacassem a cada ano.

Além de valorizar escritores, ele destaca a qualidade do trabalho de todos os profissionais envolvidos na criação e produção de um livro. Anualmente, editoras dos mais diversos segmentos e escritores independentes de todo o Brasil inscrevem suas obras.